
Guilherme Kolling
O primeiro movimento foi uma surpresa: a compra dos veículos da centenária Companhia Jornalística Caldas Júnior – o jornal Correio do Povo, as rádios e a tevê Guaíba. Um negócio estimado em R$ 100 milhões, que surpreendeu o mercado.
O segundo começou no dia 1º de julho, quando a Record passou a exibir sua programação no canal 2 de Porto Alegre, com três horas e meia de produção local e ênfase no jornalismo.
Está, desde então, aberto o front Sul na guerra que o grupo do bispo Edir Macedo move desde 2004 para tirar a liderança de 40 anos da Rede Globo na televisão brasileira.
O alvo nesta nova frente é a RBS, poderoso braço da Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com 20 emissoras de televisão, oito jornais diários, 26 emissoras de rádio, dois portais de internet, uma editora e uma gravadora, uma unidade de agronegócios e faturamento na casa dos R$ 700 milhões por ano.
Há mais de 30 anos, desde que desbancou a mesma Caldas Júnior, agora comprada pela Record, a RBS praticamente não tem concorrência nos mercados em que atua. A Record já tem uma emissora em Florianópolis (SC) e está montando a rede no Rio Grande do Sul.
Seguiu-se uma rodada de visitas da Rede Brasil Sul a empresas e agências de publicidade “para ratificar e reiterar os valores da RBS e sua visão empresarial, que todo mundo aqui no Rio Grande do Sul já conhece”, como disse ao JÁ o vice-presidente Geraldo Corrêa.
A Record, no entanto, age discretamente. Comprou R$ 3 milhões em equipamentos de última geração, além de contratar cerca de 30 jornalistas para reforçar sua equipe. “É um projeto profissional, para valer”, diz o diretor de programação e jornalismo, Marcos Martinelli, experiente jornalista, com passagem pela Globo inclusive. Martinelli já era repórter da Rede no Rio Grande do Sul, trabalhou na organização das quatro regionais em São Paulo, agora é responsável pela produção do conteúdo regional.
“Vamos ter de início uma cobertura de 90% do Estado. Depois vamos colocar satélite, possibilitando que, com a parabólica, a programação da Record seja sintonizada em qualquer ponto do solo gaúcho”, informa o diretor regional da TV Record, João Batista Rodrigues.
O executivo diz que o objetivo é alcançar o primeiro lugar no Rio Grande do Sul. “É uma questão de tempo”, projeta. Martinelli informa que, até o final do ano, a idéia é dar uma guinada na audiência para atingir a vice-liderança.
Antes, utilizando o sinal da Rede Pampa, a Record estava em quarto lugar no Rio Grande do Sul, atrás da RBS, SBT e Band. A TV Guaíba, com uma programação terceirizada, tinha índices baixos, só atingia pontuações no Ibope em alguns horários específicos. Ou seja, a Record terá, antes de mais nada, que lutar pelo terceiro lugar, depois disputar o segundo, para aí pensar em liderança.
*Trecho da reportagem de capa da Revista JÁ, número 1 que está nas bancas.

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