Humor na imprensa: "Só há liberdade se for contra a Dilma"

Um encontro para discutir o espaço do desenho de humor, a charge, na imprensa, reuniu profissionais, novos e veteranos, na Associação Riograndense de Imprensa, no lançamento do Prêmio ARI de Jornalismo 2015, ano em que a entidade completa 80 anos.
O presidente, Batista Filho, lembrou que o Prêmio ARI é o único certame de imprensa no Brasil que inclui a charge como uma categoria do jornalismo, há 40 anos. (O prêmio Esso de Jornalismo incluiu a charge entre suas categorias por poucos anos, depois retrocedeu).
Inclusive os campeões do Prêmio ARI são dois chargistas, o pioneiro Sampaulo ( ) e o já veterano Neltair Abreu, o Santiago. Ambos tem 27 troféus pela “Charge do Ano”, conforme o levantamento de Antonio Goularte.
Santiago, que apareceu em 1975, com a charge “Anatomia do Generalíssimo”, sobre a morte do ditador espanhol, foi um dos debatedores. “Quino é o nosso Deus”, disse ele referindo-se ao cartunista argentino criador da Mafalda. Quino faz cartuns, pequenas historietas em tiras de conteúdo universal. Charge é mais a crítica do dia, numa cena. São, ambos, “desenho de imprensa”, na definição dos jornais franceses.
Santiago acha que a profissão terminou. “Restou publicar na internet pra te exibir. Ninguém paga pelo desenho. Não sei como vai resolver, o cara trabalha o dia inteiro e ganha umas curtidas”. O facebook  devia pagar pelos acessos atraídos pelas charges. “Eles ganham com isso, natural que quem produziu ganhe alguma coisa também”.
Santiago relembrou sua demissão do último emprego na imprensa, por causa de uma charge sobre o lucro dos bancos publicada no Jornal do Comércio de Porto Alegre. Relatou casos de censura política e concluiu: “Só há liberdade se for contra o Lula, o PT, a Dilma”.
Outro debatedor, o Tacho, chargista do Correio do Povo, acha que é impossível controlar a internet. As pessoas não só reproduzem livremente o desenho como interferem nele, cortando ou acrescentando palavras, mudando o sentido da piada.
Tacho começou no interior, em 1976, como diagramador. Tem 20 prêmios de Charge no ARI. Defendeu que o premio não se limite aos meios impressos e se estenda aos meios digitais.
Moacir, o Moa, concorda mas acha que “alguma forma de remuneração na internet ajudaria. Ele começou em 1986, no Zero Hora, Diário do Sul, depois Jornal do Comércio, de onde saiu em 2008. Desde então fora da imprensa. Dedica-se a ilustrar livros didáticos e revistas empresariais.
Outro depoimento interessante foi de Alexandre Vieira. Ele começou em Passo Fundo, fazendo a charge do Diário da Manhã, está há 15 anos no Diário Gaúcho. Ele contou o episódio mais chocante do encontro: o caso de um editor que, tomado de fúria, rasgou a charge na frente dele.

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