
Dez casas foram planejadas e construídas para o estilo de vida dos índios
(Fotos: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
Um terreno próximo à Parada 22 da Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, abriga há nove anos a aldeia Anheteguá, com 70 índios Mbyá-Guarani. Desde o início do ano, o espaço recebe obras dos governos estadual e federal para melhorar a infra-estrutura e qualidade de vida. A comunidade, que ainda mantém costumes milenares, celebra a construção de novas casas.
A Secretaria estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano já entregou 10 casas para a aldeia e deve construir mais três até o final do ano. As residências de madeira foram estrategicamente planejadas para comportar o estilo de vida dos índios – com portas grandes, muitas janelas e uma área aberta na frente.

O cacique da aldeia, Cerilo, também representa todos os Guarani do Rio Grande do Sul
O cacique da Lomba do Pinheiro, José Cerilo, explica que antes da construção, foi consultado sobre a forma dos domicílios. “Só assim daria certo porque temos os nossos costumes”, explica o índio, que também é cacique dos Guarani do Rio Grande do Sul.
O grupo ainda terá um centro cultural até o final do ano, com a forma de um tatu. O cacique conta que o formato foi escolhido e desenhado por estudantes de arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No local serão realizados rituais da comunidade e eventos para visitantes, como palestras. “Faremos um cronograma das atividades”, garante Cerilo.

O posto de saúde indígena está quase pronto
Os índios ainda aguardam a conclusão de um posto de saúde indígena, que será feito com recursos do Ministério da Saúde. O local vai oferecer atendimento especializado aos integrantes da comunidade. Até dezembro, outros 23 postos serão entregues a grupos indígenas do Rio Grande do Sul, totalizando um investimento de R$ 3 milhões, financiados pelo Banco Mundial.
A aldeia Anheteguá
Reduzidos a aproximadamente mil pessoas no Estado, os índios Mbyá-Guarani mantêm sua cultura, apesar das dificuldades para sobreviver em áreas verdes cada vez mais restritas. Na Lomba do Pinheiro, o grupo pesca carpas em um pequeno lago e planta milho e batata doce, entre outros alimentos.
Eles também produzem artesanato – miniatura de animais em madeira, cestas e bijuterias – mas não costumam ir até o centro da cidade vender as peças, como fazem outras comunidades indígenas.
“Preferimos ficar reservados na aldeia”, diz o cacique. O isolamento faz parte estilo de vida destes guaranis, que gostam de ficar em casa, cuidando da família, de preferência tomando chimarrão. “Chimarrão é a nossa vida”, resume o cacique.
Além de estar distante de grandes centros urbanos, a aldeia recebe poucas visitas, geralmente de estudantes universitários e professores. Mas Cerilo garante que a relação com os vizinhos em volta é pacífica. “Ninguém entra aqui sem permissão”, ensina.

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