
Helen Lopes
Ao completar 138 anos, o Instituto de Educação General Flores da Cunha luta para conter a onda de vandalismo que vem sofrendo desde o inicio do ano. Em três meses, a escola foi invadida nove vezes para roubo de fios de cobre. Nas últimas investidas, os ladrões depredaram os banheiros do ginásio e deixaram o prédio da educação infantil sem luz.
Após os ataques, direção, pais, alunos, ex-alunos e professores criaram o movimento Eu Abraço o IE para pedir mais atenção do Governo do Estado, responsável pela manutenção do colégio. A intenção também é buscar parcerias junto à iniciativa privada para viabilizar medidas de segurança e de restauração da escola – que sofre com a pichação e a degradação.
As primeiras reivindicações são a colocação de câmeras externas – a escola tem os recursos para adquirir câmeras, mas falta dinheiro para a instalação –, cercamento, melhor iluminação da fachada e atuação da Guarda Municipal. “A escola está num parque, por isso também deve ser vigiada pela Guarda Municipal”, entende o diretor do IE, Paulo Sartori.
O movimento formulou uma carta e pretende se reunir com autoridades e empresas para mostrar a importância histórica do Instituto de Educação.
BM intensifica vigilância
Enquanto as reivindicações da comunidade escolar não são atendidas, a Brigada Militar intensifica a vigilância noturna no local e pede ajuda ao poder municipal para resolver problemas de iluminação e poda de árvores no entorno da escola.
Ainda em março, o major Lúcio Alex Ruzicki, comandante da 3ª Companhia do 9º Batalhão da BM, responsável pela área, se reuniu com representantes das secretárias de Obras e de Meio Ambiente para indicar os pontos que necessitam mais iluminação e as árvores que precisam ser cortadas. “Essas ações auxiliam o trabalho da Brigada”, afirma o comandante, que destacou um novo guarda escolar para o IE.
SOS IE restaura duas telas

Uma iniciativa da comunidade escolar que deu certo foi o projeto SOS IE. Criado por um grupo de ex-alunos, buscou recursos externos para restaurar três telas históricas que estavam apodrecendo no saguão da escola – Garibaldi e a Esquadra Farroupilha, de Lucílio de Albuquerque, de 1919, A Tomada da Ponte da Azenha e A Chegada dos Açorianos, ambas de Augusto Luiz de Freitas, pintadas respectivamente em 1922 e 1923. Com o apoio de empresas federais e privadas – e a dedicação de um grupo de restauradores comandados pela artista plástica Leila Sudbrack –, menos de um ano depois do inicio do trabalho, duas obras já foram restauradas. Em novembro de 2006, a equipe concluiu A Tomada da Ponte da Azenha e, em fevereiro deste ano, Garibaldi e a Esquadra Farroupilha. A presidente da Associação de Ex-alunos do IE, Amélia Bulhões, comemora os primeiros resultados, mas alerta que a próxima tela, A Chegada dos Açorianos, com 6,50 m x 5,50 m, é a maior e que está em pior estado, por isso, só deve ficar pronta em dezembro deste ano. “É uma grande satisfação ver o trabalho quase concluído”, festeja.
138 anos de história
Em abril, a mais antiga escola de grau médio de Porto Alegre comemora 138 anos. O atual Instituto de Educação General Flores da Cunha foi criado como Escola Normal da Província em 5/4/1869, com a finalidade de formar professores para o ensino primário. Com a reforma do ensino estadual decretada por Júlio de Castilhos, foi transformada, em 1901, em Colégio Distrital de Porto Alegre, e mudou o nome para Escola Complementar. Por mais de sessenta anos, a Escola funcionou na esquina da Rua Duque de Caxias e Mal. Floriano. Na década de 1930, o então administrador estadual, General Flores da Cunha, ordenou a construção do espaçoso prédio da Av. Osvaldo Aranha, pronto em 30/4/1936, mas foi apenas em 1939 que passou a chamar-se Instituto de Educação.
(Fonte: Sérgio da Costa Franco, no livro “Porto Alegre Guia Histórico”).

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