Instituto de Educação fecha 18 meses para reforma

MATHEUS CHAPARINI
Começa em janeiro, com prazo de 18 meses para ser concluída, a reforma do prédio do Instituto de Educação, uma das mais tradicionais instituições do ensino público do Rio Grande do Sul.
O governador José Ivo Sartori assinou  há uma semana o contrato para a restauração do prédio de 180 anos, tombado pelo patrimônio público.
A reforma vai custar R$ 22,5 milhões e será executada pela Porto Novo Empreendimentos e Construções Ltda, única a atender o edital de licitação.
Durante a reforma, a escola permanecerá fechada e alunos serão realocados em duas outras escolas estaduais.
A Educação Infantil será transferida para a escola Felipe de Oliveira, no bairro Santa Cecília, e os estudantes a partir do quinto ano do Ensino Fundamental passarão para a escola Roque Callage, no Rio Branco.
Os alunos de 1ª a 4ª série não serão afetados, pois têm aulas na unidade anexa do Instituto, que funciona na escola Diná Néri Pereira, na rua José Bonifácio.
O IE conta também com turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos) à noite. O destino destes alunos ainda não foi definido. Ao todo, a escola tem 1.673 alunos.
Alunos reclamam da transferência
Os alunos reconhecem as más condições do prédio e a necessidade de uma restauração, mas reclamam da tranferência para outras escolas. Marina Rodrigues, estudante do 9º ano, diz que vai mudar de escola. “Eu moro na Zona Sul, fica contramão. Aqui passa ônibus para quase qualquer lugar, lá na outra escola passam poucos.”

Matheus e Mariana acreditam que vários alunos deixam a escola em função da mudança / Foto Matheus Chaparini
Matheus e Mariana acreditam que vários alunos deixarãoa escola em função da mudança / Foto Matheus Chaparini

Matheus Fontes, também aluno do 9º ano, acredita que vários colegas vão mudar de escola por falta de transporte. Ele lamenta o fato, pois afirma que a qualidade do ensino do Instituto de Educação é superior à maioria das escolas públicas. “Já estudei em outras escolas e não tem comparação. Minha irmã passou em Administração na UFRGS sem fazer cursinho, só com o Ensino Médio daqui.”
Edital teve apenas uma empresa inscrita
Há muitos anos se discute a necessidade de restaurar o prédio do IE, tombado pelo patrimônio histórico estadual em 2006. O ex-secretário da Educação José Clóvis de Azevedo afirma que foram começadas várias reformas parciais. “Mas estas tentativas de reforma pioraram a situação. O ginásio foi praticamente destruído porque tentaram colocar um piso inadequado.”
A licitação foi aberta inicialmente em novembro de 2014, no final do governo Tarso Genro, com o valor de R$ 19.766.524,32. A Porto Novo entrou com pedido de impugnação, a licitação passou por uma revisão técnica e foi reaberta em fevereiro de 2015, com o orçamento corrigido para R$ 22,5 milhões. A Secretaria Estadual de Educação informou que não houve concorrência, pois apenas uma empresa se inscreveu na licitação.
“Toda A estrutura está deteriorada”
É a primeira restauração do prédio, que foi construído em 1935 para abrigar a antiga Escola Normal da Província, criada em 1869.
Em março do ano passado, professores e alunos fizeram um protesto contra as más condições do imóvel.
Questionada sobre as áreas que estão em piores condições, a diretora Leda Larratéa é taxativa: “Toda a estrutura está deteriorada pelo tempo e pela falta de manutenção. Não tem nada que dê pra dar nota dez, é tudo de zero a cinco, e com boa vontade.”
Ela afirma ainda que a última grande reforma foi feita há mais de 20 anos e que há setores que sequer podem ser utilizados, como o ginásio esportivo, interditado há mais de dez anos; a pracinha das crianças, há cinco; e o auditório, há um ano e meio.
Os alunos reclamam também que as salas de aula do andar superior têm goteiras e o banheiro feminino do térreo está já não tem o forro.
Além do restauro, a estrutura será modernizada e adaptada. O prédio, que ocupa uma área total 11.021 metros quadrados, atenderá exigências de acessibilidade e prevenção contra incêndio.
O projeto, realizado pela empresa 3C Arquitetura e Urbanismo, contempla ainda paisagismo, reforma nas redes elétrica e hidráulica, iluminação interna e externa, instalação de câmeras de vídeo para monitoramento, rede lógica, sonorização e climatização.
O escritório de arquitetura partiu de pesquisas históricas, e mapeou as peças originais e as modificadas ao longo dos anos.

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