Jornaleiros boicotam produtos da RBS


Cláudio Calmo: “Eles estão enriquecendo e nós estamos ganhando menos
(Fotos: Carla Ruas/JÁ)

Carla Ruas

Os jornaleiros de Porto Alegre estão em pé de guerra com a maior empresa de comunicação do Estado – o Grupo RBS. Proprietários de bancas se recusam a vender os produtos que vêm agregados aos jornais Zero Hora e Diário Gaúcho, como CD´s, DVD´s e livros. Eles alegam que a empresa reduziu a comissão paga aos jornaleiros por estes itens, de 25% para 15%.

Dono de uma banca há dois anos na avenida Cavalhada, Cláudio Calmo é um dos mais engajados na causa. Segundo ele, dois terços das bancas da cidade estão fazendo parte do boicote. “É uma indignação coletiva. Eles não estão repassando o que é justo para o ponto de venda”.

Calmo afirma que a empresa justificou a ação dizendo que queria reduzir o preço final para o consumidor. “Mas isso é mentira, porque o preço dos DVD´s até subiu”. Ele alega que está havendo uma transferência de renda do jornaleiro para o Grupo RBS. “Eles estão enriquecendo e nós estamos ganhando menos”.

O jornaleiro acredita que só o tempo irá dizer se o movimento vai repercutir nos lucros da RBS. Cogita ainda parar de vender os prórpios jornais, se a empresa mantiver os mesmos índices de repasse. “Com 15% de comissão, ganharia somente nove centavos por cada Diário Gaúcho”.

Quando um cliente pergunta por um dos produtos, ele faz questão de explicar o porquê do boicote com um panfleto impresso. O comunicado já está sendo copiado por seus colegas e enviado pela Internet através da Associação dos Jornaleiros. “A maior parte dos consumidores entende e acha a causa justa”, garante.

Mas na Osvaldo Aranha, em frente ao Banco Santader, o cliente encontra os produtos. O dono da banca, Adroaldo Moreira Vieira, concorda que a comissão repassada é abusiva, mas prefere não aderir ao movimento. “Não quero deixar meus clientes na mão”, justifica. Ele teme ver a clientela migrar para outras bancas. “Se ele não acha na minha, vai procurar no concorrente”.

Os donos de banca de Porto Alegre seguem os exemplos de outros movimentos semelhantes que já ocorreram pelo Brasil. No ano 2000, em São Paulo, foi assinado o primeiro acordo comercial entre vendedores de jornais e empresas de comunicação. Após um boicote, a categoria conseguiu que os grupos Folha e Estado repassassem 25% das vendas dos produtos agregados aos jornais.

Em agosto deste ano, em Santa Catarina, os jornaleiros conseguiram evitar que a RBS estabelecesse uma comissão baixa para o recém lançado jornal popular Hora.

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