Geraldo Hasse
Afagando com a mão esquerda e beliscando com a direita, o ex-presidente Lula saiu do casulo em que se manteve desde a reeleição de Dilma Rousseff para a presidência da República e começou a dar palpites públicos sobre a administração do país. Até onde se sabe, ele vinha dando apenas conselhos particulares, entre eles indicações de pessoas, como o ministro Joaquim Levy, da Fazenda.
Agora, já pensando em 2018, Lula abriu o jogo. “Eu não vim ao mundo para fracassar. O PT não nasceu para fracassar”, disse ele num evento recente no Sindicato dos Bancários de São Paulo.
“Eu sou um dos pais do PT e um dos filhos desse partido. E eu não pretendo deixar ele acabar. Nós vamos ressurgir ainda mais fortes”, acrescentou.
Há riscos nessa postura agressiva, mas muito pior seria encolher-se. Então, bola pra frente.
A um bom pai e a um filho fiel às suas origens, cabe fazer a defesa da Mãe do PAC, apelido colado a Dilma na época em que ela era ministra-chefe da Casa Civil (de Lula) e presidente do Conselho de Administração da Petrobras – locomotiva do desenvolvimento brasileiro nos últimos 60 anos e, especialmente, nos últimos oito, a partir da descoberta do petróleo da camada pré-sal. Aí está um dos nódulos do problema.
Segundo Lula, muitos petistas reclamam de não ter ferramentas para defender Dilma no momento atual, quando tudo converge para a Operação Lava Jato, que investiga malfeitos entre diretores da Petrobras, empreiteiras de obras, fabricantes de encomendas de plataformas navais e dirigentes de partidos políticos. Há um vago temor de que a sujeira alcance Dilma. Se a mãe cair, desmorona a família petista e estremece a República.
Das investigações, até agora, resultou a prisão provisória do tesoureiro petista João Vaccari Neto, acusado de ter participado de esquemas de desvio de recursos da Petrobras, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. A investigação tenta descobrir se o dinheiro arrecadado por Vaccari para as campanhas eleitorais de 2014 tem origem ilícita.
Em defesa do PT, Lula argumenta que os recursos usados pelo partido têm origem semelhante à de outros partidos também ajudados por empresários e empreiteiras, “mas só o dinheiro do PT é amaldiçoado”. De fato, até o dinheiro do PP é menos maldito, porque esse partido é linha auxiliar. Mas ninguém esquece, nem perdoa, o Mensalão, cujo processo colocou na cadeia alguns cabeças do PT.
Por tudo que fez de bom ou ruim, e especialmente por ter ganho as últimas eleições, o PT se tornou o alvo central do conservadorismo inconformado com medidas voltadas para as camadas mais baixas da população.
Embora o aumento do consumo tenha beneficiado os empresários, que turbinaram seus negócios nos últimos anos, a maré moralista colocou o PT na parede e levou todos os outros partidos a um silêncio defensivo, à espera dos desdobramentos da Operação Lava Roupa Suja, que está travando as engrenagens da economia.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“A gente não é pelego!”
Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS), sobre o desgaste da bancada petista ao votar a favor do ajuste fiscal promovido pelo governo Dilma.

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