P.C. Lester
O golpe está armado. A posição adotada pelo PMDB é a maior evidência disso.
O PMDB pode apoiar o golpe e ser decisivo, dependendo do que lhe for oferecido no novo governo. Temer como presidente? Até um programa de governo ele tem.
Mas Temer, o vice de Dilma, pode também ser tragado na voragem da queda do governo, se ela ocorrer. Fora isso, as principais lideranças do partido estão enrolados na Lava Jato.
Se Dilma resistir, o PMDB tende a ficar onde está, com todos os ministérios e todos os cargos, quem sabe mais alguns barganhados no bojo da crise.
Mas o golpe só será parado por um movimento forte do governo. A nomeação de Lula para o Ministério pode ser esse movimento.
Na verdade, parece que só o Lula com sua capacidade de articulação é capaz de costurar um acordo para travar o golpe.
Ele poderá, mal comparando, ter o papel que teve o governador Leonel Brizola em 1961, quando frustrou o golpe com o movimento da Legalidade.
A atitude destemida de Brizola galvanizou o apoio da população e até de parte das Forças Armadas, frustrando a manobra golpista já desencadeada.
Em 2004, quando Zé Dirceu caiu no Mensalão e parecia que todo o governo viria abaixo, Lula levou Dilma para a Casa Civil, num movimento arrojado (levava uma “técnica” para um cargo “político”).
Dilma pegou os 60 grupos de trabalho que batiam cabeça em torno do superministro e formatou um grande projeto de investimentos – o PAC, que deu fôlego e ajudou a reeleger Lula.
Agora, quase sem ar, Dilma chama Lula para a Casa Civil (ou para uma Secretaria de Governo) com a tarefa de juntar os cacos da aliança política que deveria sustentar o governo.
Lula vai ser a Dilma do governo Dilma? Ou teremos um novo governo Lula, com uma Dilma presidente decorativa? Ou nem Lula será capaz de segurar esse rojão?
Lula pode ser, no governo Dilma, o que Dilma foi no governo Lula
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário