
Telmo Magadan quer ir além do Pacto pelo Rio Grande (Foto: Divulgação Federasul/JÁ)
Geraldo Hasse
Em palestra-almoço para uma centena de empresários na Federasul nesta quarta-feira, 13 de setembro, o arquiteto Telmo Magadan, presidente da Ventos do Sul, fez um inédito contraponto entre o sucesso da construção da usina eólica de Osório e a situação caótica das contas públicas do Rio Grande do Sul.
“É inexplicável que o estado gaúcho tenha chegado aonde chegou na gestão pública se dispõe de capacidade humana para fazer uma obra como essa”, disse. No final de sua palestra, ele sugeriu “um debate profundo – muito mais profundo do que propõe o Pacto pelo Rio Grande – sobre a natureza da crise de gestão das pessoas que nos dirigem”.
Como exemplo dos recursos humanos existentes no Estado, Magadan citou o imigrante alemão Hans Dieter Rahn, sócio-fundador da IEM, que há mais de 50 anos trabalha com energias alternativas em Porto Alegre.

Hans Dieter Rahn: um trabalho pioneiro e silencioso (Foto: Tânia Meinerzl/Arquivo JÁ Editores)
Quando detectou o nicho de mercado para a energia eólica, em 2000, Magadan ficou sabendo que não precisaria recorrer a técnicos estrangeiros para medir os ventos no interior gaúcho. Recorreu ao veterano imigrante e ficou satisfeito. “A equipe de Rahn fez um trabalho perfeito, que passou por duas auditorias contratadas pelos financiadores do projeto”, contou Magadan.
Além de criticar a incompetência dos gestores públicos gaúchos, Magadan condenou “o absurdo excesso de burocracia” vigente no Brasil. “Pessoas incompetentes colocadas em lugares indevidos estão atravancando o processo de desenvolvimento do país”, disse ele.
O presidente da Federasul, José Paulo Dornelles Cairoli, aproveitou a crítica para lembrar a frase de Ozires Silva, ex-presidente da Embraer, segundo o qual “a máquina estatal é um sucesso porque foi montada para não funcionar: realmente não funciona”.
Tendo ao lado seu sócio Alberto Costa Pinto e outros técnicos da Ventos do Sul, Magadan confirmou que o grupo espanhol Elecnor está disposto a fazer novos investimentos no Brasil, “principalmente no Rio Grande do Sul”.
Além da produção de energias alternativas, na segunda etapa do Proinfa, da Eletrobrás, que provavelmente entrará em discusssão após as eleições, os espanhóis poderiam eventualmente investir em turismo no litoral norte gaúcho, desde que os administradores públicos tomem consciência de que o desenvolvimento exige planejamento e integração entre as diversas instâncias do poder.

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