Manifestações favoráveis dominam Audiência Pública da ampliação da Aracruz

Elmar Bones

“Foi barba, cabelo e bigode”. A expressão de um dos organizadores ao final do evento sintetiza bem o que foi a audiência pública em que a Aracruz expôs à comunidade o projeto de ampliação de sua fábrica de celulose em Guaiba.

O projeto industrial da Aracruz prevê investimentos de US$ 1,3 bilhão para instalar uma nova linha de produção junto à unidade atual, ampliando a capacidade das atuais 450 mil para 1,8 milhão de toneladas de celulose / ano.

A licença prévia para o empreendimento já foi concedida em junho de 2006. Agora está em fase final de análise o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para a licença de instalação. A empresa pretende iniciar a implantação da nova linha no início do ano que vem, para concluir as obras até o final de 2009 e entrar em operação em 2010.

Realizada no ginásio municipal, na noite de quinta-feira, 25 de outubro, a audiência, marcada para as 19 horas, foi precedida de uma “abertura política”, em que vereadores, prefeitos e deputados da região, favoráveis ao projeto, se sucederam ao microfone enaltecendo a empresa, as oportunidades de emprego, a arrecadação de impostos, e outros benefícios do projeto, arrancando aplausos do publico, cerca de 1.500 pessoas, a maioria, trabalhadores da indústria e da construção civil e prestadores de serviços.

Quando a audiência propriamente dita iniciou, duas horas depois, o ginásio foi dado como lotado (embora restassem muitos lugares) e as pessoas que chegavam só  podia entrar à medida que outros saíssem.

O engenheiro químico Renato das Chagas, coordenador  da equipe da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fepam) que analisa o estudo de impacto ambiental da Aracruz  explicou que a audiência publica atendia exigência da legislação ambiental e que era a oportunidade para a comunidade expor seus questionamentos e suas dúvidas em relação ao projeto.

Em seguida, a equipe da Aracruz fez uma exposição dos diversos aspectos do empreendimento, dando ênfase ao avanço tecnológico observado em todas as etapas, com o objetivo de minimizar os impactos no meio ambiente e na comunidade. Seguiram-se pessoas da comunidade previamente inscritas, mais de 40, mas em vez de perguntas e críticas, foi mais uma bateria de elogios e perguntas interessadas aos representantes da empresa. Os técnicos da Fepam, praticamente não foram acionados. Quando apareceram as primeiras críticas e as primeiras dúvidas levantadas pelos representantes da Agapan e outras ongs ambientais, já era quase meia noite e o ginásio municipal não tinha mais do que 50 pessoas. Vaiados, ambientalistas praticamente não foram ouvidos e o que puderam fazer foi  protocolar um extenso documento com críticas e questionamentos ao EIA-Rima.

A Aracruz hoje emprega mil trabalhadores, vai oferecer mais 250 novos empregos na área industrial. Os terceirizados, que hoje são 7 mil, vão passar para 13 mil. As obras civis de instalação da nova unidade vão absorver 5.500 trabalhadores temporários ao longo dos dois anos. A base florestal que a empresa está ampliando para  alimentar a fábrica se estende por 30 municípios da região. No total, incluindo a implantação de florestas, a logística de transporte da madeira e da celulose e a implantação da nova linha industrial, o projeto da Aracruz pode chegar a um investimento de US$ 2,5 bilhões, segundo seus diretores.

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