Manifestações nas ruas: silêncio na mídia, repressão policial

Ainda aconteciam passeatas contra o governo Temer, na noite de sexta-feira (11), quando os telespectadores do Jornal Nacional foram informados que estudantes haviam feito manifestações – nos Estados Unidos, contra Trump, o antipolítico eleito na terça-feira presidente dos EUA.

O JN sequer citou as numerosas manifestações em pelo menos 16 estados brasileiros, nem registrou as ocupações por estudantes secundaristas e universitários, declarações de apoio de professores e paralisações visando greve nas universidades federais e escolas de Ensino Médio no país. 

No Rio Grande do Sul, não foi diferente. Desde cedo os jornais anunciavam: os policiais iriam endurecer se fosse necessário, por ordem do secretário de Segurança. Não faltaram notícias sobre os “bloqueios de ruas” e “dispersão pela BM para desobstruir as vias públicas”, atualizadas o dia todo, e entrevistas com motoristas irritados com a lentidão do trânsito opinando que “deveriam deixar quem quer trabalhar”.

Técnicos em greve na UFRGS, UFCSPA e institutos federais na esquina da Osvaldo Aranha com Sarmento Leite, de manhã / Foto Divulgação
Técnicos em greve na UFRGS, UFCSPA e institutos federais na esquina da Osvaldo Aranha com Sarmento Leite, de manhã / Foto Divulgação

Pela manhã, um dos atos em Porto Alegre foi protagonizado por técnicos em greve da UFRGS, UFCSPA e IFRS, que trancaram temporariamente avenidas do centro em apoio às ocupações dos estudantes e contra a PEC 55. Os “trancaços” não são para atrapalhar o trânsito, mas para dar visibilidade ao movimento. São breves, e em vários pontos.

Centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais de tendências políticas diferentes, com os estudantes e profissionais do meio acadêmico participando, fizeram protestos em diversos pontos de Porto Alegre. Foi o Dia Nacional de Greve e Manifestações contra a PEC dos Gastos. Reuniu manifestantes de ocupações de vários pontos da Região Metropolitana, ao todo foram mais de dez mil pessoas.

Em comum, um fato: a repressão da polícia militar, que usou bombas de gás e spray de pimenta para desobstruir ruas e tirar manifestantes da via pública. Até dentro do campus central da Ufrgs, perto do prédio da Reitoria, foi jogada uma bomba de gás.

Aos veículos de comunicação da Capital, o secretário da Segurança, Cesar Schirmer, confirmou a orientação dada à BM de agir com rigor. Ela foi posta em prática em frente a garagens de empresas de transporte público já antes do dia amanhecer.

Em Porto Alegre, a manifestação conjunta – de estudantes dos Ocupa e de sindicatos – acabou com violenta repressão policial a partir das 21 horas, no bairro Cidade Baixa. Durante o dia, cinco intervenções contra os estudantes ocorreram no campus do Vale e no campus Central, durante o dia. A cada tentativa de bloqueio de rua feitas próximas a esses locais, soldados da Brigada Militar interviram provocando pânico, protestos e denúncias de violência. O Comando, no entanto, classificou essas intervenções como as mais adequadas por evitar contato entre manifestantes e brigadianos, além de não usar balas de borracha, como em ocasiões anteriores.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Claudir Nespolo, a postura da Brigada Militar foi “exagerada, intempestiva e inconsequente”. A CUT saiu ao lado do Cpers/Sindicato e o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm-Sindicato), engrossando as manifestações contra a PEC com protestos contra o governo Sartori pelos parcelamentos dos salários do funcionalismo estadual e a falta de investimentos. Escolas da rede pública estadual não tiveram aulas, assim como nas delegacias e outros órgão de Segurança, não houve atendimento ao público.

Já a Central de Trabalhadores do Brasil (CTB) organizou os protestos e os piquetes nas empresas de ônibus no início da manhã. A Brigada Militar concentrou suas tropas e impediu que manifestantes evitassem as saídas dos veículos nas empresas Carris, Nortran e Sudeste, que conduzem o maior número de passageiros.

Fotos Thais Ratier/JÁ

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