
Mariano Senna da Costa, de Berlim, especial para o JÁ
Um grupo de aproximadamente 30 pessoas esteve terça-feira, 24 de julho, na embaixada brasileira em Berlim, na Alemanha, para uma tarefa tão nobre quanto ingrata. Formado por alemães e brasileiros vindos de toda Europa, o grupo protestava contra a violência policial nas favelas do Rio de Janeiro durante os jogos pan-americanos iniciados no último dia 13 deste mês.
“Jogos Pan-americanos – Sol e lucro para os ricos, violência contra os pobres”, diz o slogan impresso nas camisetas e na faixa aberta em frente à representação diplomática na capital da Alemanha. Apoiados pela Rede Contra Violência e fazendo coro com instituições como a Anistia Internacional, eles distribuíram panfletos e deram esclarecimentos ao pequeno público que passou pela embaixada naquela manhã ensolarada. “A pena capital é vigente nas comunidades faveladas do Rio. São assassinatos onde a única versão que chega ao público é a da polícia”, acusa o produtor cultural Márcio Jerônimo, radicado há dois anos na Suíça. Segundo ele, o governo do Rio tem bloqueado as tentativas de investigações por organismos independentes, evitando assim “abrir a caixa preta da polícia”.

No final de maio, o governador do Rio, Sergio Cabral, já havia deixado claro qual a abrangência da ação policial às vésperas do Pan. Em entrevista à Rede Globo, ele justificava a repressão como necessária para o desenvolvimento social. E avisou: “A nossa ação é uma ação permanente e ela vai se intensificar”.
De acordo com o panfleto distribuído em Berlim mais de 50 pessoas foram executadas pela polícia nas favelas do Rio desde o início de maio. O fato mais grave ocorreu em 27 de Junho quando 19 pessoas foram mortas durante a entrada da polícia no Complexo de Favelas do Alemão. Mais inusitado, contaram os manifestantes, foi que dois representantes da Rede Contra a Violência foram presos no último fim de semana no Rio de Janeiro. A acusação, segundo eles, é que ambos comercializavam camisetas onde o mascote do Pan 2007 aparece disparando um rifle automático da polícia, desrespeitando os direitos de uso da imagem do símbolo.
Outra crítica feita pelos manifestantes é a forma distorcida e preconceituosa como a mídia tem apresentado a discussão. “A grande mídia continua tratando a favela como um lugar de bandido”, reclama Sandra Bello, artesã carioca há 10 anos em Berlim. Ela corrobora com a análise feita esta semana pelo jornalista Juca Kfouri sobre a relação da mídia com os produtores do evento. “A grande mídia, que atinge a maior parte da população, tem tido um comportamento lastimável. Não deu um minuto sequer de crítica. É a velha confusão entre ‘ser dona dos direitos de transmissão do evento’ e confundir isso com ‘ser sócio dos donos do evento’. E sócio não critica”, diz.
Dentro da embaixada brasileira o sentimento era misto entre a surpresa e a indiferença. “Leio UOL e Globo, mas lá não vi nada sobre esse problema. Se havia não me chamou a atenção”, comentou Pedro Diehl Filho, gaúcho de Butiá e morando na Europa há 18 anos. Opinião semelhante a da estudante de direito Laura Fritzen, apenas de passagem por Berlim. Ela foi à embaixada obter informações sobre a possibilidade de imigrar para a Alemanha, projeto que pretende realizar após terminar seus estudos em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A respeito da violência policial pouco sabia. “Acho que as mortes lá são constantes, por isso que nem chama mais a atenção”, ponderou a estudante que tem a Zero Hora como jornal preferido.
Os representantes consulares se mostraram mais sensíveis à questão. O vice-embaixador, Tovar da Silva Nunes, responsável pela área de negócios da embaixada foi quem recebeu os manifestantes, já que o embaixador estava viajando. Após meia hora de reunião disse que iria encaminhar o pedido de esclarecimentos ao Departamento de Direitos Humanos do Itamaraty em Brasília. Sobre a veracidade das denúncias foi cuidadoso. “É difícil julgar, pois não há fotos sobre essas mortes na Internet, mas parto do pressuposto de que se há pessoas reclamando é porque algo aconteceu”.

Mariano Senna da Costa, de Berlim, especial para o JÁ
Um grupo de aproximadamente 30 pessoas esteve terça-feira, 24 de julho, na embaixada brasileira em Berlim, na Alemanha, para uma tarefa tão nobre quanto ingrata. Formado por alemães e brasileiros vindos de toda Europa, o grupo protestava contra a violência policial nas favelas do Rio de Janeiro durante os jogos pan-americanos iniciados no último dia 13 deste mês.
“Jogos Pan-americanos – Sol e lucro para os ricos, violência contra os pobres”, diz o slogan impresso nas camisetas e na faixa aberta em frente à representação diplomática na capital da Alemanha. Apoiados pela Rede Contra Violência e fazendo coro com instituições como a Anistia Internacional, eles distribuíram panfletos e deram esclarecimentos ao pequeno público que passou pela embaixada naquela manhã ensolarada. “A pena capital é vigente nas comunidades faveladas do Rio. São assassinatos onde a única versão que chega ao público é a da polícia”, acusa o produtor cultural Márcio Jerônimo, radicado há dois anos na Suíça. Segundo ele, o governo do Rio tem bloqueado as tentativas de investigações por organismos independentes, evitando assim “abrir a caixa preta da polícia”.

No final de maio, o governador do Rio, Sergio Cabral, já havia deixado claro qual a abrangência da ação policial às vésperas do Pan. Em entrevista à Rede Globo, ele justificava a repressão como necessária para o desenvolvimento social. E avisou: “A nossa ação é uma ação permanente e ela vai se intensificar”.
De acordo com o panfleto distribuído em Berlim mais de 50 pessoas foram executadas pela polícia nas favelas do Rio desde o início de maio. O fato mais grave ocorreu em 27 de Junho quando 19 pessoas foram mortas durante a entrada da polícia no Complexo de Favelas do Alemão. Mais inusitado, contaram os manifestantes, foi que dois representantes da Rede Contra a Violência foram presos no último fim de semana no Rio de Janeiro. A acusação, segundo eles, é que ambos comercializavam camisetas onde o mascote do Pan 2007 aparece disparando um rifle automático da polícia, desrespeitando os direitos de uso da imagem do símbolo.
Outra crítica feita pelos manifestantes é a forma distorcida e preconceituosa como a mídia tem apresentado a discussão. “A grande mídia continua tratando a favela como um lugar de bandido”, reclama Sandra Bello, artesã carioca há 10 anos em Berlim. Ela corrobora com a análise feita esta semana pelo jornalista Juca Kfouri sobre a relação da mídia com os produtores do evento. “A grande mídia, que atinge a maior parte da população, tem tido um comportamento lastimável. Não deu um minuto sequer de crítica. É a velha confusão entre ‘ser dona dos direitos de transmissão do evento’ e confundir isso com ‘ser sócio dos donos do evento’. E sócio não critica”, diz.
Dentro da embaixada brasileira o sentimento era misto entre a surpresa e a indiferença. “Leio UOL e Globo, mas lá não vi nada sobre esse problema. Se havia não me chamou a atenção”, comentou Pedro Diehl Filho, gaúcho de Butiá e morando na Europa há 18 anos. Opinião semelhante a da estudante de direito Laura Fritzen, apenas de passagem por Berlim. Ela foi à embaixada obter informações sobre a possibilidade de imigrar para a Alemanha, projeto que pretende realizar após terminar seus estudos em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A respeito da violência policial pouco sabia. “Acho que as mortes lá são constantes, por isso que nem chama mais a atenção”, ponderou a estudante que tem a Zero Hora como jornal preferido.
Os representantes consulares se mostraram mais sensíveis à questão. O vice-embaixador, Tovar da Silva Nunes, responsável pela área de negócios da embaixada foi quem recebeu os manifestantes, já que o embaixador estava viajando. Após meia hora de reunião disse que iria encaminhar o pedido de esclarecimentos ao Departamento de Direitos Humanos do Itamaraty em Brasília. Sobre a veracidade das denúncias foi cuidadoso. “É difícil julgar, pois não há fotos sobre essas mortes na Internet, mas parto do pressuposto de que se há pessoas reclamando é porque algo aconteceu”.

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