Matheus Chaparini
Nos últimos dias, professores, funcionários e alunos do Atelier Livre foram surpreendidos com uma publicação no Diário Oficial. Tradicionalmente, a direção do Atelier Livre é escolhida através de eleições internas diretas, onde somente podem concorrer funcionários do quadro.
No final de 2016, a então diretora, Miriam Topolar, foi reeleita para um mandato de dois anos. Mas na última quinta-feira, outra pessoa foi nomeada para o mesmo cargo.
O prefeito Nelson Marchezan Júnior revogou o Decreto 9.473, de 1989, que determinava a escolha através de eleições, onde votam todos os professores, funcionários e uma representação dos estudantes.
O decreto, da época da criação da Secretaria Municipal de Cultura, define como devem se dar as eleições e foi revogado por um novo decreto, o 19.767, assinado pelo prefeito Marchezan em 6 de fevereiro deste ano e publicado no Diário Oficial de Porto Alegre (DOPA) do dia 10.
Diretora nomeada não vai atuar no cargo
No dia 2 de março, foi publicada no Diário Oficial a nomeação de Cátia Tedesco para o cargo de Diretora do Atelier Livre. A nomeação é retroativa a 23 de janeiro. Entretanto, Cátia Tedesco não vai ocupar o cargo para o qual foi nomeada, mas a coordenação de comunicação da Secretaria Municipal da Cultura. No site da prefeitura, seu nome já consta na SMC.
“Está tramitando uma reforma dos cargos em comissão e assim que aprovado definitivamente o novo organograma da SMC, os profissionais serão realocados em seus cargos devidos. Todas as secretarias estão passando pelo mesmo processo”, explicou Cátia Tedesco, por email.
Cátia é formada em comunicação social pela PUCRS e foi selecionada através do banco de talentos. Com quase 20 anos de experiência na área cultural, era coordenadora da Agência Cigana, que presta assessoria de imprensa a grandes eventos culturais e à Opus Promoções. Antes, trabalhou durante dez anos no setor de comunicação da Opus.
“Fomos atropelados pela notícia”
A nomeação da nova diretora pegou a todos de surpresa. “Fomos atropelados pela notícia, pelo diário oficial. A diretora estava de férias e não sabia que não era mais diretora”, critica a artista plástica Graça Craidy, aluna do Atelier há cinco anos.
Ela explica que as eleições sempre foram realizadas por um colegiado de professores. “Sempre é um processo muito tranquilo. Os professores são apaixonado pelo Atelier, são muito dedicados”, afirma Graça.
A ausência de um diálogo com a equipe do Atelier gerou certa preocupação. “Nós ainda não sabemos claramente qual o projeto político dessa gestão para a cultura, mas tem uma certa arbitrariedade nessa falta de diálogo, que nos deixa preocupados”, afirma a instrutora Ana Flávia Baldisserotto. Desde 2000 no Atelier, Ana Flavia é das funcionárias mais recentes, aprovada no último concurso, de 1996.
Mesmo com o quadro reduzido, o Atelier atende atualmente cerca de 600 alunos. “Poucas cidades no Brasil têm uma escola de arte pública com a qualidade do Atelier Livre. É um patrimônio imaterial da cidade”, defende.
A artista critica a desatenção de sucessivas gestões municipais que fragilizou a instituição. Para ela, é urgente a realização de um novo concurso. “Da forma que está, caminha para a extinção”, conclui.
O Atelier Livre foi criado em 1961, a partir de uma experiência realizada no ano anterior pelo pintor Iberê Camargo. Iberê ministrou um curso aberto de pintura na então Galeria Municipal de Arte de Porto Alegre. A atividade demonstrou o potencial de um ateliê aberto, em oposição ao ambiente do ensino acadêmico do Instituto de Belas Artes, hoje Instituto de Artes da UFRGS.
Marchezan muda regra e nomeia CC para direção do Atelier Livre
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Comentários
Uma resposta para “Marchezan muda regra e nomeia CC para direção do Atelier Livre”
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Mas como o Marchezan comete uma arbitrariedade dessas? Poderiamos dizer… um golpe. O Atelier Livre tem Diretora até o final de 2018 e o nome dela é Miriam Tolpolar, eleita legitimamente.

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