Marchezan pressiona vereadores a aprovarem todas as suas medidas

Matheus Chaparini
Diante do plenário da Câmara Municipal praticamente lotado, o prefeito Nelson Marchezan Júnior apresentou o Programa de Metas para sua gestão. Reconheceu que o plano, que contém 58 metas, traz alguns objetivos difíceis de serem alcançados, principalmente na área da educação, mas afirmou que não seria vergonha não cumpri-las, mas não tê-las como metas.
Marchezan aproveitou o espaço para rebater matérias publicadas na imprensa, relativas a trocas de cargos por apoio. Sem nominar a que texto se referia, o prefeito agradeceu aos vereadores, aos sindicatos e aos técnicos que indicaram “pessoas de bem” para ocupar postos no Executivo Municipal. Marchezan afirmou não ter problemas com indicações, desde que os indicados passem pelo Banco de Talentos e comprovem capacidade para as funções indicadas.
A apresentação das metas foi feita pelo secretário de Planejamento e Gestão José Alfredo Parode e na sequência foi aberto o espaço para que 30 pessoas inscritas se manifestassem ao microfone.
Conselheiros do orçamento participativo defenderam a importância do programa, afirmando que se trata de uma referência internacional e que tem grande importância ao garantir a participação direta da população nas decisões relativas ao Município. Este ano, as assembleias do orçamento participativo foram suspensas, portanto não apresentará novas demandas, como acontece todos os anos.
Demandas do OP aparecem nas falas
Moradores de diversas comunidades pediam simplesmente que o prefeito e seus secretários compareçam à sua localidade para conhecer os problemas de perto. Demandas que seriam encaminhadas através do OP acabaram aparecendo em diversas manifestações ao microfone da tribuna.
“Teria que ter outro Prometa só com as demandas do OP”, afirmou Rosa Maria Labandeira, conselheira da região Centro Sul do Orçamento Participativo. Ela cobrou do prefeito que seja feito um caderno, como acontecia anualmente, com as demandas resgatadas por região. “É uma garantia de que não teremos uma interrupção no programa.”
Marchezan defendeu a decisão de não haver novas demandas este ano em função da situação financeira do Município e da quantidade de demandas acumuladas, de anos anteriores. “Temos mais de duas mil obras pendentes, não vamos concluir tudo. Tem demandas desde 1992”, justificou Marchezan. Segundo o prefeito, no ano passado não foi cumprido nem 10% do planejado no OP.
Marchezan se comprometeu a, duas vezes por mês, levar boa parte da estrutura de governo a comunidades de baixa renda localizadas longe do acesso aos serviços públicos, para aproximar o governo da população.
Reciclagem de resíduos ficou de fora das metas
Coordenador do Fórum das Unidades de Triagem de Porto Alegre, Antônio Matos cobrou que a triagem e reciclagem de resíduos sólidos não foi incluída em nenhuma meta. “Não consta nada sobre reciclagem, é como se não existisse”, criticou.
Antônio lembrou que são 17 unidades de triagem em Porto Alegre, onde trabalham diretamente em torno de 500 pessoas. Por este sistema passam 2 mil toneladas de lixo reciclável por mês.
Marchezan reconheceu a importância do trabalho desenvolvido pelas unidades de triagem e afirmou que foi uma falha da gestão não ter incluído a atividades entre as metas.
Sindicato cobra pagamentos atrasados da cultura
O único protesto registrado nas galerias foi de um grupo que apresentou um cartaz com a frase “Prefeitura, pague a cultura.”

Único protesto da audiência pedia o pagamento das dívidas da Prefeitura com artistas / Matheus Chaparini
Único protesto da audiência pedia o pagamento das dívidas da Prefeitura com artistas / Matheus Chaparini/JÁ

O presidente do Sated RS (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões), Fábio Cunha, cobrou do prefeito a quitação dos pagamentos atrasados da gestão passada aos artistas. “Tem pagamentos do Fumproarte de 2014 que ainda não foram feitos”, afirmou. Segundo Cunha, somente em relação ao Fumproarte, são mais de R$ 2 milhões de dívidas da Prefeitura com os artistas, além de mais de R$ 1 milhão da Companhia de Dança, e premiações que não foram pagas do Prêmio Açorianos.
Uma página foi criada no facebook, através da qual diversos artistas informam sobre os valores não pagos pela Prefeitura.
Fábio Cunha questionou se a meta 29, que garante que 15% da capacidade média de público dos espetáculos nos espaços municipais seja disponibilizada gratuitamente para pessoas de baixa renda, não trará prejuízos aos artistas. Marchezan garantiu: “Não sairá do bolso dos artistas. Não vamos tratar a Prefeitura como casa de fazer favor com o dinheiro dos outros.”
No encerramento, um recado à Câmara e aos servidores
Após as manifestações ao microfone, Marchezan fez questão de responder uma a uma às colocações da tribuna. O prefeito voltou a afirmar que a situação das contas do Município é preocupante e que este será um ano difícil, mas disse acreditar que algumas áreas, como segurança, saúde e cultura, vão avançar.
Nelson Marchezan Júnior afirmou que as gratificações estão sendo revistas e que a contribuição dos servidores para a melhoria da situação financeira será abrir mão de reajuste nos próximos anos.
Marchezan encerrou com um recado aos vereadores e aos servidores municipais: “Se todas as medidas do Executivo forem aprovadas, vamos empatar as contas somente no final de 2018. Se não forem aprovadas, é um aviso aos servidores, vai atrasar sempre e em alguns meses não vamos pagar”.

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