A morte do professor Marco Aurélio Garcia, ex-assessor especial da Presidência da República, repercutiu entre líderes e políticos da esquerda brasileira.
Atuante no Partido dos Trabalhadores desde a sua fundação, Garcia era professor aposentado do Departamento de História da Unicamp, com uma longa trajetória de intelectual ligado à esquerda.
Estudou no Júlio de Castilhos, onde atuou no movimento estudantil. Formou-se pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em filosofia e direito.
Na década de 60, foi vice-presidente da União Nacional de Estudantes e vereador da cidade de Porto Alegre.
Viveu nove anos (1970 a 1979) exilado no Chile e na França. Com a anistia, retornou ao Brasil e retomou a militância política. Foi dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.
Em 1990, Secretário de Relações Exteriores do PT, foi um dos organizadores do Fórum de São Paulo, oara reunir todos os grupos de esquerda na América Latina e no Caribe.
Foi Secretário de Cultura em São Paulo e Campinas.
Coordenou o programa de Lula para as eleições de 1994, 1998 e 2006. Ocupou o cargo de presidente interino do PT de 6 de outubro de 2006 a 2 de janeiro de 2007 e vice-presidente de outubro de 2005 a fevereiro de 2010.
Em 2007, tornou-se um assessor especial em política externa do presidente Lula e continuou nesse cargo com a presidente Dilma. Em confidência a seu amigo Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, disse que tinha pouco a fazer e por isso “andava lendo muito”.
Ele tinha 76 anos e foi vítima de um infarto nesta quinta-feira, 20.
Marco Aurélio Garcia foi um importante líder na construção e execução da política externa brasileira durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi um dos idealizadores dos BRICs e do fortalecimento das relações Sul-Sul.
Em entrevista recente, Marco Aurélio Garcia criticou a política externa do Brasil no governo de Michel Temer.
“Nós jogamos fora a política sul-americana”, afirma. De acordo com ele, o mundo “não está vendo” o Brasil nesse momento.
“Antes, éramos acusados de fazer política ideológica, mas nós fazíamos política com os governos da região. Agora, tanto o ministro José Serra quanto o Aloysio Nunes procuraram, sim, fazer uma política ideológica, mas uma política ideológica de direita, se associando com setores de oposição na maioria dos países, na Venezuela em particular, e com isso, perdendo a oportunidade de exercer uma função mediadora”, avalia.
Garcia criticou ainda o que chamou de “paspalhada tremenda da carne”, que “num clique” destruiu o que foi trabalhado durante 13 ou 14 anos para se abrir e conquistar o mercado internacional nesse setor.
“Isso arruinou o comércio internacional, vamos ter um prejuízo de 2 a 3 bilhões de dólares, que é mais ou menos o que foi feito em outras áreas, como das empreiteiras”, exemplificou, em referência à Operação Lava Jato.
“Vamos ter claro o seguinte: ninguém está defendendo arbitrariedades cometidas por empresas privadas, têm que ser fiscalizadas, punidas. Mas tivemos aí uma ação espetacular, como têm sido todas as ações do governo, que se utiliza disso para lançar pó nos olhos da sociedade brasileira e impedir que ela acompanhe os verdadeiros problemas que o Brasil vem enfrentando”, conclui.
A ex-presidente Dilma, que reduziu a influência de Marco Aurélio na política externa brasileira, emitiu uma nota:
“Hoje é um dia de dor para todos nós, que compartilhamos com ele seus muitos sonhos, histórias e lutas. Era um amigo querido, de humor fino e contagiante, sempre generoso e cheio de ideias, dono de uma mente arguta e brilhante”.
Nas redes sociais, vários parlamentares e líderes lamentaram a perda. Leia algumas manifestações:
Jorge Viana:
“O professor Marco Aurélio era um intelectual e militante apaixonado pela política, um perseverante sonhador que lutou pela justiça social desde a juventude. Sempre foi uma referência dentro do PT e um gigante no campo das ideias. Um democrata respeitado em todo o mundo. Ele sempre foi um homem do diálogo, defensor intransigente de um mundo e um Brasil mais justo. Foi um privilégio ter convivido com ele. É muito triste para todos nós, do PT, esta quinta-feira. Lamento muito a sua morte.”
Valter Pomar, que foi dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, também lamentou a perda:
“O companheiro Marco Aurélio Garcia faleceu nesta manhã. Presidente nacional do PT e secretário de relações internacionais do PT. Secretário executivo do Foro de SP. Assessor especial de Lula e de Dilma na Presidência da República.
Washington Quaquá, presidente do PT-RJ:
“Lamentável! A esquerda e todos nós perdemos uma figura maior! Um daqueles que não nascem em linha de produção, porque é fruto do Velho artesanato humano é divino, pra quem acredita”.
(Com informações do 247, G1, O Globo e Folha de São Paulo)

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