Martín Fierro na fronteira

Cleber Dioni e Lucia Righi

“Fronteira seca, do saludo arrinconado, donde cochila tradição pra um guitarreiro, e o gaiteiro estufa o peito apaysanado, num ala pucha abagualado de faceiro.”

A milonga Fronteira Seca, de Rogério Ávila e Mauro Moraes, resume bem a satisfação com que a comunidade musical recebe o anúncio de mais uma edição do Festival de Fronteira Um Canto para Martín Fierro, de Santana do Livramento, que chega este ano como um dos maiores festivais de música nativista do Estado.

A 9ª edição acontece nos dias 14, 15 e 16 de dezembro. Chamamé, rancheira, vanerão, xote, bugio, milonga, chacarera e zamba são alguns ritmos que integram o repertório dos poetas, compositores e intérpretes identificados com a música nativista campeira e o folclore latino-americano. A linguagem, por vezes xucra, outras vezes romântica, se funde num portunhol pra lá de original, onde o campo se faz presente como raiz cultural dos países do Mercosul.

Essa integração, através do festival, passa pela exaltação dos versos da obra “El gaucho Martin Fierro, do poeta argentino José Hernández. O livro é uma obra-prima da literatura sul-americana e retrata a figura solitária do homem do pampa gaúcho – ou gaucho, como preferir – em suas lutas pela sobrevivência. Acredita-se que Hernández redigiu boa parte da obra, entre os anos de 1871 e 1872, em Santana do Livramento, cidade da fronteira-oeste gaúcha, conhecida como a “Fronteira da Paz”.

O evento, promovido pelo Centro de Cultura Um Canto para Martin Fierro, já é considerado um dos maiores do gênero no Estado, a exemplo de festivais consagrados como a Califórnia da Canção Nativa, de Uruguaiana, e o Musicanto, de Santa Rosa.

A comissão organizadora selecionou 16 das 400 composições inscritas, sendo que 12 irão para a final, já estando habilitadas para integrar o CD do evento. Onze recebem prêmio em dinheiro e troféu.

Além da integração e da disputa entre compositores e músicos do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, a chamada “pampa gaúcha”, o público é presenteado todas as noites com shows de artistas famosos.

Subirão ao palco do ginásio Guanabara César Oliveira e Rogério Mello, Walther Morais, Lucio Yanel e Gilberto Monteiro. A abertura é feita sempre por um músico santanense, dentro do projeto de valorização dos músicos locais. Desta vez será Juliano Moreno. O festival já revelou nomes como Evair Gomes, Volmir Coelho e Leôncio Severo.

O evento está bem servido de instrumentistas: Lucio Yanel, natural de Corrientes, Argentina, mas radicado no Rio Grande do Sul há mais de 20 anos, é considerado um dos maiores violonistas da atualidade e mestre de músicos como Yamandú Costa, outro destaque na música instrumental. O gaiteiro e compositor Gilberto Monteiro, de Santiago do Chile, é outra referência em temas com raízes castelhanas e gaúchas.

As classificadas

– Adelante, de Diego Muller, Miguel Cimirro e Joca Martins
– Alma guitarreira, de Glênio Facundes e Lúcio Yanel
– A um negro desconhecido, Jairo Fernandes
– A uma lágrima rocio, de Martin Gonçalves e Roberto Borges
– El alma del pago, de André Oliveira e André Teixeira
– Entropilhado, de Evair Gomes e Ricardo Martins
– Madalena flor do campo, de Rafael Chiapeta e Carlos Madruga
– Paisano, de Nadir Castilho e Nelson Cardoso
– Partilha, ausência e saudade, de Zeca Alves e Volmir Coelho
– Pela cordeona do tempo, Gujo Teixeira, Juliano Gomes e Leonel Gomes
– Porteira a fora, de Eron Matos, Cristiano Camargo e Lisandro Amaral
– Povoado, de Rogério Ávila e Leonel Gomes
– Rancho la Cruces, de Evair Gomes, Juliano Gomes e Everson Maré
– Razões para seguir, de Lisandro Amaral
– Rodada, de Fernando Soares e Mauro Moraes
– Volta de campo, de Rogério Ávila e Juliano Moreno

Atrações internacionais

O show internacional será do músico uruguaio Héctor Numa Moraes. Inicialmente reservado a Los Tucu Tucu, lendário grupo folclórico argentino, teve que ser cancelado devido a um trágico acidente que vitimou dois de seus integrantes, deixando hospitalizados outros dois.

Em 2003, o uruguaio Pepe Guerra foi a grande atração internacional; em 2004, o destaque foi Horácio Guarany, um dos cantores mais importantes do folclore argentino; já em 2005, a atração internacional foi o argentino Luna. E, ano passado, o destaque ficou por conta da prestigiada cantora e compositora argentina Teresa Parodi.
Mais recursos do Minc

‘Um Canto para Martín Fierro’ é patrocinado pelo Fundo Nacional de Cultura, desde a 4ª edição. O FNC é um mecanismo de financiamento de projetos culturais do Ministério da Cultura, realizado através de convênios. O Fundo banca até 80% do projeto, sendo os 20% restantes contrapartida do proponente.

Este ano, o Centro de Cultura solicitou R$ 220 mil para promover o festival, incluindo ainda a gravação de CD e edição de um livro de poemas.

Os valores gastos vêm aumentando sensivelmente. Na 4ª edição, em 2002, foram captados R$ 105,8 mil; na seguinte, foram R$ 120 mil; na 6ª edição subiu para R$ 136 mil, na outra foram captados R$ 212,4 mil; e na 8ª edição, realizada ano passado, o festival captou R$ 154,2 mil.

Função social

O evento cumpre também uma função social: 30% da arrecadação é doada a instituições assistenciais de Livramento. Na última edição, o valor foi repassado ao Hospital da Santa Casa do município, à Creche Pansef e à Sandef.

“Além do Fundo, contamos com o apoio da Prefeitura de Livramento. Temos como patrocinadores algumas empresas que não são fixas e uma diversidade de projetos”, afirma Carlinhos Fernandes, coordenador do festival..

Ginásio ficou pequeno

O local onde é realizado atualmente o festival, no Ginásio Guanabara, não suporta mais a demanda de público, que mescla brasileiros, uruguaios e argentinos.

A média nos três dias de evento chega a 15 mil pessoas. O número de espectadores é vinte vezes maior porque o festival é transmitido para todo o Estado, através da TVE, e, ao vivo, por mais de 20 rádios do Brasil, Uruguai e Argentina.

Carlinhos diz que está nos planos da comissão organizadora construir um centro de eventos com capacidade para cinco mil pessoas. “Será a sede oficial do festival, mas também servirá para a prefeitura ou a iniciativa privada realizar outros eventos ali”, avisa Fernandes.
Prestígio em alta

O músico correntino Lucio Yanel, 61 anos, considera o Martín Fierro um dos mais importantes eventos de reafirmação da identidade cultural. “Devemos parabenizar os organizadores e torcer para que esta maravilhosa realidade que o festival nos regala, continue por muitos e muitos anos”, disse.

Para o compositor e músico Marcello Caminha, o Martin Fierro tem trazido valiosa contribuição para o cenário nativista, pelas músicas que reúne a cada ano e pelos shows de grande qualidade, mantendo a preocupação de intercâmbio com shows dos países vizinhos.

“Se considerarmos as regiões do Estado, veremos que em cada uma delas se faz um estilo diferente de música campeira, seja na serra, no litoral, nas missões e na fronteira, e o Martin Fierro é o festival, que ao meu ver, reflete de forma mais clara o dia-a-dia da região da fronteira-oeste do Estado, onde se faz a música campeira com influência da Argentina e principalmente do Uruguai”, afirma.

Outro mérito destacado pelo violonista bageense, de 35 anos, é a atenção dos organizadores em manter o foco no festival de fronteira, que o diferencia de muitos outros, despertando, com isso, o turismo na região.

Caminha participa do festival desde sua primeira edição, seja como concorrente, show ou júri e vê cada vez mais forte a estrutura do festival: “Observo também que há um intenso aperfeiçoamento na sua linha cultural a cada ano que passa”, completa.

A dupla que vem se consagrando como uma das grandes revelações da música regional campeira dos últimos anos, César Oliveira, 37, e Rogério Melo, 31, elogia a competência dos organizadores por transmitirem, através do Martín Fierro, credibilidade aos que hoje têm como referência cultural o folclore crioulo.

“Sem dúvida o Martin Fierro, nos dias atuais, é uma referência para outros eventos do mesmo seguimento. É um festival que ‘hermana’ e difunde a palavra gaúcho com propriedade e extrema fidelidade ao crioulismo, ao respeito pela raiz de um povo, difundindo uma pátria única, que todos que nela vivem sentem orgulho de fazerem parte”, concordam os amigos, que dividem os palcos há nove anos, sendo que ambos já participaram do Martín Fierro como jurados e também artistas.

Para o cantor e compositor Pirisca Grecco, 35 anos, sete dos 15 anos de carreira dedicados aos festivais de música nativista, o Martín Fierro já nasceu grande. “É um evento moderno, jovem, mas de uma grandeza inigualável, pelo seu público e pelo cuidado na seleção das músicas concorrentes”, diz o músico. E revela: “sempre guardo o que tenho de melhor para mandar para o festival em Livramento.

Último do circuito
O festival surgiu da inspiração de santanenses que sempre acompanharam o meio tradicionalista. Entre os fundadores estavam Carlos Fernandes, Sérgio Calvete Couto, Edilson Villagran e Anomar Danúbio Vieira.

“Acontece que existe um ciclo de festivais no Estado e não existia nada em Livramento, uma cidade que sempre produziu músicos de grande potencial. Daí surgiu a idéia. Então ficou decidido realizar o festival sempre na primeira semana antes do Natal, seguindo o circuito de festivais do Estado, e o nosso encerra o ciclo”, explica Carlinhos.

Os CDs das edições do festival são distribuídos não só para o meio nativista, mas para rádios no Brasil inteiro, através do Ministério da Cultura, e também no Uruguai e na Argentina.

“Gostaríamos realmente de uma produção diferente dos CDs para que a população tenha mais acesso, diz Carlinhos. A grande maioria dos compositores, intérpretes e instrumentistas guarda seus melhores trabalhos para o Martin Fierro, e isso é uma grandeza. É a vontade que todos os grandes nomes da música gaúcha têm de fechar o ano com uma vitória, o que é motivo de muito orgulho pois sabemos que a cidade ganha com isso”, comemora o organizador.

Nas três primeiras edições, quem promovia o festival era o Centro de Cultura Crioula Urutau. A 1ª edição foi realizada em 1999 no Ginásio Clube Irajá, as 2ª e 3ª foram realizadas no Parque Augusto Pereira Carvalho. A partir de 2002, na 4ª edição, mudou o nome da entidade que realiza o evento e o local. De Urutau passou a se denominar Centro de Cultura Um Canto para Martín Fierro, e o novo endereço, no Ginásio Guanabara.

Surpresas para os 10 anos

Para o próximo ano, quando o festival completa dez edições, a direção do Centro de Cultura Um canto para Martín Fierro pretende realizar uma grande festa com várias inovações. Queremos algo que marque os 10 anos de Um Canto para Martin Fierro e que, a partir daí, o festival se reafirme e venha com mais força para os próximos anos”, diz Carlinhos Fernandes.

Ele antecipa algumas iniciativas: “Pretendemos fazer circuitos pelo Brasil, Uruguai e Argentina para divulgar o festival. Além de realizar shows em várias cidades gaúchas, queremos chegar a outros Estados como já fizemos em outras ocasiões, em Brasília e Rio de Janeiro, por exemplo. Uma das atrações pode ser vinda da cantora Soledad.”

Poema épico virou inspiração

A obra que dá nome ao festival é o maior épico da literatura argentina e um dos maiores da América do Sul. Foi publicado em duas partes: a primeira vez em dezembro de 1872 com o título de El gaucho Martín Fierro, editado na tipografia La Pampa. A segunda parte, em 1879, chamada La vuelta de Martín Fierro.

O versos escritos em linguagem popular, já foram traduzidos em mais de 30 idiomas. Neles, o autor José Hernández faz eco às angústias e às injustiças cometidas contra o homem do pampa. Martín Fierro é o símbolo do gaúcho inconformado, o contestador que deixa de ser bandido e vira herói nacional.

Para o professor Voltaire Schilling, Martín Fierro, o porta-voz da sua própria história, foi a revivência do el Cid campeador, o caudilho ibérico de mil anos atrás que, também desterrado, saiu a pelejar contra meio mundo na Espanha daquela época. “Uma das particularidades de Martin Fierro era o misto de ternura amarga em meio às durezas da vida, um queixoso vagando pela pampa a denunciar as injúrias e responder aos agravos.”

Chama a atenção a contemporaneidade do protesto social que caracteriza os versos de Martín Fierro, essa figura do pampa que atravessou gerações, mas que, atualmente, quase não se vê pelos campos. Bioma para uns, pátria para outros, o pampa é uma extensa área localizada no extremo sul do continente americano, entre os países da Argentina, Uruguai e Brasil. É um bioma único no planeta. Os bosques são raros e algumas coxilhas e capões de mato alternam a imagem dos bichos soltos no mar verde de pasto a cobrir a imensidão de campo, onde o olhar facilmente alcança o horizonte.

O pampa é o cenário onde se desenvolve a rebeldia do gaúcho e sua permanente busca pela paz e pela liberdade. Fácil explicar, então, porque muitos músicos têm nos versos de Martín Fierro a principal fonte inspiradora para compor suas músicas.

“Andávamos tão imundos que, ver-nos, causa horror, garanto que dava dor, ver essa gente de cristo, lhe juro jamais ter visto, uma pobreza maior” (Canto IV, 106). “Imagine qualquer um, a má sorte deste amigo; a pé, mostrando o umbigo, estropeado e quase nu: outro infortúnio mais cru, não me darão por castigo” (Canto IV, 111).

A valentia, a sofreguidão, o menosprezo, tudo ou quase tudo que se tinha como a imagem do gaúcho está retratada nos versos criados por José Hernández. E que hoje inspira muitos poetas e compositores da música regional campeira. Como no Canto VIII em que el gaucho não se acovarda diante de um valentão: “E já saímos trançados, pois era o homem, ladino; mas, como não perco o tino e sou meio ligeirão, o deixei mostrando o sebo, de um revés com meu facão” (227). Encomendando-me a Deus, ergui vôo p’ra outro pago; que o índio que chamam vago não consegue ter querência, e assim, de estrago em estrago, vive chorando de ausência” (229). “Não terá cova nem ninho, há de andar sempre fugido, sempre pobre e perseguido, como se fosse maldito; pois ser gaúcho… Caramba!… – ser gaúcho é até um delito” (230). Se cria vivendo ao vento, qual ovelha sem esquila, enquanto o pai se perfila, nas milícias do governo; e se tirita no inverno, ninguém o apara ou asila” (233). “Nada ele ganha na paz, mas é o primeiro na guerra; não o perdoam se erra, que não sabem perdoar; – o gaúcho, nesta terra, serve só para votar” (238).

Versos sem fronteiras

Santana do Livramento sustenta o título de ‘berço do Martín Fierro’, pois seria a cidade onde José Hernández morava quando criou os primeiros versos do maior poema épico da Argentina. “Havia nascido em Santana do Livramento e estendeu-se pela campanha como um rastilho de pólvora”, afirma Guilhermo Eliseo Sciarra, referindo-se aos versos.

Diz uma das versões mais repetidas que o poeta morou em Livramento, entre 1870 e 1871, numa pequena pensão, localizada hoje na esquina das ruas Rivadávia Côrrea e Uruguai. “À luz da lamparina ou em meio ao verde da atual Praça General Osório, onde inclusive tem um busto em sua memória, Hernández deu-se a esboçar a primeira parte da sua epopéia xucra, que viria ser a principal obra literária que retrata a vida e a personalidade do gaúcho do pampa”, escreveu Voltaire Schilling.

Diversos foram os jornalistas argentinos, uruguaios e brasileiros a tentar reconstituir o caminho percorrido por Hernández em seu exílio, depois da derrota do general Ricardo Lopez Jordan, a quem o poeta apoiava contra o presidente argentino Domingos Faustino Sarmiento (1868-1874) e sua intenção de europeizar os países latino-americanos e desmoralizar o nativo.

Numa reportagem publicada em 6 de outubro de 1945, no jornal La Prensa, de Buenos Aires, J. M. Hernández Saldaña assegura que Pedro Garcia, filho do espanhol que hospedou Hernández, lembrava-se do “ar apaixonado” do poeta, ao ouvi-lo “cantar com versos acompanhando-se ao violão, matizando seus cantos com versos de filosofia”.

Mas Saldaña ressalta que, apesar dos poucos vestígios, o mais provável é que Hernández tenha passado a maior parte dos seus dias de exílio na cidade uruguaia de Paisandú, onde morava seu irmão, Rafael. “Dos dias de emigrado de José Hernández na fronteira do Brasil, com um pé no então Império, em Santana do Livramento, e outro no Uruguai, na vila de Rivera, não encontro notícia do proveito nas biografias do bardo”, conclui Saldaña.

Em outra matéria, o jornalista gaúcho Carlos Reverbel publicou em 6 de novembro de 1948, na Revista do Globo, entrevista com a santanense Belmira Garcia Labarthe, que conheceu o poeta José Hernández e seu famosos versos.

Ela tinha 16 anos. Era filha do estancieiro espanhol Pedro Garcia e cunhada do coronel uruguaio Juan Piran, de quem Hernandez era muito amigo. Volta e meia, os amigos se encontravam na casa de Pedro Garcia para longas conversas e mateadas.

Dona Belmira disse acreditar que Martín Fierro já devia estar escrito, pelo menos em parte, naquela época, e que Hernández não fixou residência em Livramento, como fizeram outros emigrados. “Antes do seu amigo aparecer pela primeira vez em Livramento, Juan Piran já declamava versos do Martín Fierro”, lembrou a senhora, do alto de seus 93 anos e de lucidez invejável.

A dúvida se o poema foi escrito ou não na Argentina, antes de Hernández partir para o exílio, ou depois, na brasileira Livramento ou ainda na uruguaia Paisandú, só reforça o caráter transfronteiriço dos versos de Martin Fierro. Onde o gaúcho divide com os leitores seus sonhos e suas mazelas, e o desejo de viver em liberdade num pampa sem fronteiras.

Um jornalista e muitas batalhas

José Hernández Pueyrredón nasceu a 10 de novembro de 1834, na Chácara de Pueyrredón, sítio da família no povoado de Perdriel, subúrbio de Buenos Aires. Era filho de Rafael Hernández, comerciante em Buenos Aires, e de Isabel Pueyrredón, prima de Juan Martín de Pueyrredón, herói da independência argentina e um dos comandantes das Províncias Unidas do Sul.

Aprendeu a ler e escrever aos quatro anos de idade e, aos nove, órfão de mãe, doente e muito fraco, foi levado pelo pai para uma fazenda no povoado de Camarones, ao sul da Província, para ficar sob os cuidados de uma tia materna. Permaneceu ali, em contato com a lida campeira, até partir para as frentes de batalha contra os índios, como aventureiro. Aos 19 anos, em 1853, alistou-se como soldado e, três anos depois, ingressou na carreira de jornalista.

Em 1859, apoiou a luta de Urquiza – Justo José de Urquiza y García, caudilho da Província de Entre-Rios, que mais tarde, se tornou presidente da Argentina, depois de derrotar Manuel Oribe e Juan Manuel de Rosas na célebre Batalha de Monte Caseros, em fevereiro de 1852.

Casou em 1863 com Carolina González del Solar, com quem teve sete filhos, só um homem. Em 1865, participou da Guerra do Paraguai contra Solano López.

Através do seu jornal “El Rio de la Plata”, Hernández defendeu mudanças políticas numa Argentina prestes a implodir a todo momento e comprou briga com o governo, após o assassinato do general Urquiza. Ele defendia as idéias federalistas que exigiam maior autonomia das províncias, em contraposição aos unitaristas, que preferiam um governo centralizado na capital e o enfraquecimento do Interior. Ao lado do caudilho López Jordán, investiu contra o governo de Sarmiento. Derrotados e pressionados, ele e outros civis e militares emigraram em 1871 para o Brasil e o Uruguai.

Em 1872, depois de 10 meses de exílio, Hernández retornou a Buenos Aires e, em dezembro publicou a primeira parte da obra que o imortalizou. Em 1979, já tendo adquirido a Livraria del Plata, lançou a segunda parte do poema “La vuelta de Martín Fierro”. Era deputado. Foi senador por Buenos Aires em 1881. Morreu em 21 de outubro de 1886, aos 51 anos.

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