O chargista Neltair Rebes Abreu, o Santiago, publicou ontem um texto em seu perfil no facebook em que pede para não ser votado na eleição a patrono da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre. Até às 10h45min desta segunda-feira, o texto havia recebido 64 comentários, a maioria pedindo para Santiago manter seu nome como patronável.
Confira o texto e as justificativas de Santiago:
“Amigos fêice-buquianos, semana passada meu amigo e colega artista gráfico, Marcos Cena, presidente da Câmara do Livro me telefonou e me informou que o meu nome estaria na lista dos patronáveis da Feira do Livro. Eu pedi ao querido Marco, “me inclua fora dessa!” Depois a amigaSônia Zanchetta também ligou pedindo e eu disse que não me apetecia essa coisa de concorrer ( eu só gosto de concorrer em concursos de desenho e mesmo nesses ando voando baixo!!). Em seguida foi a vez de outra amigona, Jussara Rodrigues, também ativa integrante da Câmara, pedir com boa argumentação, a permanência. Vocês sabem que a pedidos de damas é difícil dizer não!!
Finalmente fiquei na lista, mas torço ardorosamente para perder!
Eu acho que atividade de humor pelos seus componentes de irreverência , iconoclastia e crítica a todos e a tudo, é contrastante com cargos honoríficos.
Mas acho também que a comunicação literária e visual do humor gráfico, é sim literatura. E não sou eu que digo, era o falecido Barbosa Lessa que afirmou isso numa entrevista. A narrativa que se apoia em texto e desenhos causa algum estranhamento nos puristas da literatura, mas é inegável o conteúdo rico de alguns cartunistas e autores de histórias em quadrinhos.
Portanto foi uma lástima que outro representante do nosso fazer, não tenha sido escolhido para patrono – falo do cartunista Sampaulo, já falecido, e que durante quase 50 anos povoou os nossos jornais com o acompanhamento irônico e agudo dos acontecimentos. Ele é autor de vários livros de humor, e aliás, a sua obra “Humor do Primeiro ao Quinto”, de 1963, é histórica por ter sido o primeiro livro de cartuns do sul do Brasil. Também o nosso grande Canini deveria ter sido patrono e não esqueçamos que o cartunista Sampaio tá ainda por aí e tem uma obra maravilhosa dos tempos da revista do Globo e o seu divertido homenzinho mijão.
Repito porém que dessa vez, acho muito melhor que o cargo fique na mão dessas pessoas talentosas da literatura pura, mas também não deixo de agradecer a homenagem de ser incluído nessa lista de belos autores. Afinal num ano em que cinco cartunistas foram desomenageados com balas assassinas do asqueroso fanatismo religioso terrorista, essa é uma ótima injeção de ânimo para essa classe um pouco esquecida nos panteons literários e artísticos.
Mas se quiserem mesmo me deixar feliz, não votem em mim!!!
"Me incluam fora desta", diz Santiago sobre indicação a patrono da Feira do Livro
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