
Evento se encerrou no último domingo, 12 de novembro, com mais de 400 mil livros vendidos (Fotoss: Tânia Meinerz)
Naira Hofmeister
Ao fim de 17 dias, a 52ª Feira do Livro ficou mais curta de tempo e de dinheiro. Em 2005 o evento se estendeu até o feriado da Proclamação da Republica, em 15 de novembro, mas esse ano, como a data caiu no meio da semana – uma quarta-feira – a organização não achou conveniente estender a duração do evento.
Os três dias de diferença reverteram numa venda menos expressiva que em anos anteriores: em 2005, foram comercializados 58.596 exemplares a mais que na edição que se encerrou domingo.
O movimento na Praça da Alfândega de fato, começou devagar: nos primeiros 5 dias – entre 27 de outubro e 1º de novembro – caminhava-se tranqüilamente entre as barracas. A multidão chegou mesmo no feriado de Finados, no segundo dia de novembro. O Presidente da Câmara Riograndense do Livro, Waldir da Silveira corrobora a tese: “Nos dois últimos dias de Feira, em 2005, vendemos 77 mil livros”. Em 2004, as vendas dos derradeiros dias ultrapassaram os 100 mil exemplares.
Em 2006, no último final de semana, mesmo com a coleta de dados da CRL indicando a comercialização de 98,5 mil volumes, os livreiros reclamavam das vendas e alguns narravam uma diminuição de 40% nos lucros.

Geografia da Feira em 2007 vai depender do andamento do Monumenta
O ponto alto da 52ª edição foi, na opinião dos freqüentadores – e que se refletiu nos números – a Área Infantil. Em seu segundo ano no Cais do Porto, a feira destinada aos pequenos vendeu 20 mil livros a mais do que em 2005. Outra modificação que veio para ficar foi a Praça de Autógrafos ao ar livre – diferente dos pavilhões instalados em anos anteriores – que, a partir de 2007 leva o nome de Maurício Rosenblatt.
Apesar da consolidação do espaço infanto-juvenil e do modelo da praça de autógrafos, a arquitetura da própria Feira é uma incógnita em 2007. O Projeto Monumenta pretende alterar o traçado da Praça da Alfândega e da Avenida Sepúlveda, aproximando o projeto arquitetônico atual do centro de Porto Alegre em meados do século XX.
No início de dezembro os sócios da CRL se reúnem para debater as possibilidades de melhoria da Feira do Livro para 2007 e pensar como essa interferência deve ser feita.
Yeda recebe resultados de pesquisas
Três levantamentos de dados referentes a educação e cultura dos gaúchos foram encomendadas pela Câmara Riograndense do Livro para pressionar o novo governo a direcionar mais verbas para a área. A governadora eleita Yeda Crusius deve receber os representantes da CRL no início da próxima semana – entre segunda e terça-feira – para ouvir as propostas para atualização dos acervo bibliotecário do Estado e implantação de pequenas bibliotecas comunitárias.
“O resultado parcial da pesquisa sobre bibliotecas, indica que há 40 municípios gaúchos onde não há locais de empréstimo de livros”, revela Silveira. As outras duas pesquisas, já finalizadas, mostraram os hábitos de leitura dos gaúchos e o nível de alfabetização da população sulina.
Lula promete visita em 2007
Em Brasília, ao entregar a Ordem do Mérito Cultural aos organizadores da Feira do Livro, no dia 8 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que estará presente na abertura do evento em 2007. Se a promessa se concretizar, será a primeira vez em 53 anos que o soberano da República visita a Feira. A medalha foi concedida pela contribuição que o evento trouxe à cultura gaúcha. Silveira destacou que “todo mundo conhece a Feira no Brasil”.
Livro do JÁ Editores entre os mais vendidos

INTER, Orgulho do Brasil confirmou o sucesso e terminou a 52ª edição da Feira do Livro como um dos mais vendidos. Desde as primeiras listas de divulgação, a obra de Kenny Braga publicada pelo JÁ Editores já figurava na preferência dos leitores. INTER, Orgulho do Brasil está em sua terceira edição, que acrescenta um capítulo especial sobre a conquista da Copa Libertadores da América à trajetória do colorado gaúcho.
O livro terminou a contagem em terceiro lugar entre as obras de não-ficção, que teve como grande vencedor Fatos e Mitos sobre sua saúde, de Fernando Luchesse, da L&PM. Entre os livros ficcionais, o músico e agora escritor, Thedy Corrêa, emplacou o primeiro lugar com Bruto, também da editora gaúcha.

Deixe um comentário