Naira Hofmeister
Dentro de 15 meses Porto Alegre terá um centro histórico totalmente recuperado. Essa é a expectativa dos técnicos do Programa Monumenta, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Unesco e o Banco Internacional de Desenvolvimento. O projeto contempla 26 cidades brasileiras.
No Rio Grande do Sul, foi abraçado pelas prefeituras de Porto Alegre e Pelotas, e pelo Governo do Estado. O resultado mais expressivo deve ser o que envolve uma área de 13 hectares no centro da Capital, no eixo que vai do Cais do Porto ao Palácio Piratini, recentemente tombado como patrimônio histórico.
O projeto inclui a recuperação de 11 prédios públicos e serviços como iluminação pública e pavimentação. A tentativa é de recuperar a ambientação da Porto Alegre dos séculos XVIII e XIX. “Temos um centro cultural magnífico, todos que o visitam se impressionam com a beleza”, observa a arquiteta e coordenadora do Projeto Monumenta Porto Alegre, Briane Bricca.

Igreja das Dores é um dos prédios contemplados pelo Monumenta (Foto: Ivo Gonçalves/PMPA)
Segundo a pesquisadora, a área se assemelha, inclusive geograficamente, a locais consagrados, como Salvador. “Temos uma parte baixa, aqui na beira do rio Guaíba, e uma alta, lá no Piratini. A General Câmara seria o nosso Elevador Lacerda”, compara.
Iniciado em 2002, o Programa Monumenta, do MinC, tem dezembro de 2007 como data limite para a conclusão das obras. “Ainda teremos uns três ou quatro meses de 2008 para usar o orçamento do ano anterior”, completa a arquiteta.
O prazo preocupa porque dos 11 prédios com previsão de restauro apenas 3 já estão concluídos ou em fase final: o Pórtico Central do Cais do Porto, o Palácio Piratini e o Museu de Artes do Rio Grande do Sul – Margs. A Biblioteca Pública do Estado e o prédio que abriga o Memorial do Rio Grande do Sul já estão em fase de contratação das empreiteiras.
Outro entrave pode ser encontrado na viabilidade financeira. O programa possui orçamento de R$ 16 milhões e 850 mil. Desse valor, cerca de R$ 8 milhões já foram gastos e R$ 5,6 milhões estão destinados à recuperação de prédios privados.
Ou seja, R$ 13 milhões já estão comprometidos, restando pouco menos de R$ 4 milhões para as obras nos outros seis locais contemplados: armazéns A e B do Cais do Porto, Igreja Nossa Senhora das Dores, Pinacoteca do Rio Grande do Sul, Museu de Comunicação Hipólito José da Costa e as praças da Alfândega e da Matriz.
O Monumenta financia 70% de cada iniciativa, com recursos do BID (50%) e do Governo Federal (20%). Os demais recursos (30%) devem ser empregados pelo proprietário ou pelo Estado. Ainda assim, é difícil acreditar que o dinheiro cubra tantas obras, mesmo porque, algumas possuem valores elevados, caso dos armazéns do Cais, que somam R$ 1.759.932 ao todo.
As duas praças – Alfândega e da Matriz – estão orçadas respectivamente em R$ 785.000 e R$ 532.000. Juntas, as três obras devem custar R$ 3.076.932, quase o total do valor disponível. Há ainda a Pinacoteca do Rio Grande do Sul, cuja reforma foi fixada em R$ 478.536, o Museu de Comunicação, com orçamento de R$ 452.791,00 e a Igreja Nossa Senhora das Dores, que vai custar em torno de R$ 1.518.500.

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