Carla Ruas
Depois do movimento bem sucedido da rua Marquês do Pombal, outro grupo de moradores luta pela preservação de uma área verde. Os vizinhos da rua Dario Pederneiras, no bairro Petrópolis, querem evitar a derrubada de 52 árvores para a construção de um edifício no nº 140. Eles se reuniram em frente ao local nesta segunda-feira, 16 de outubro, para discutir alternativas.
No inicio do mês a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) realizou uma reunião com os moradores para decidir onde seriam plantadas as compensações ambientais pelo desmatamento. Mas o encontro não chegou a um consenso. A comunidade questionou a necessidade de derrubar todas as árvores, das quais 30 são nativas e abrigam ninhos de sabiá, alma-de-gato, joão-de-barro e pica-pau.
Eles pediram um prazo para propor mudanças que deixe o projeto menos prejudicial ao meio-ambiente. Na semana passada, mandaram um e-mail ao secretário da SMAM, Beto Moesch, solicitando um inventário das árvores do terreno e sua localização. O grupo também pediu o apoio do prefeito, José Fogaça, mas até agora nenhum dos políticos respondeu as mensagens.
A integrante do Movimento Petrópolis Vive, Janete Barbosa, afirma que antes de autorizar o corte, os moradores tem que pensar em quantas mudas de plantio compensatório sobrevivem nas ruas. “Um levantamento da própria SMAM diz que apenas 25% das mudas vingam”, observa. Além disso, ela lembra que iria demorar anos para que as mudas crescessem. “Enquanto isso os passarinhos vão viver aonde?”, questiona.
O ambientalista Caio Lustosa, que também apóia o movimento, disse que é possível realizar um projeto arquitetônico que não entre em conflito com a vegetação existente no terreno. Ele lembra de um edifício na rua Miguel Tostes que foi construído em volta de um pé de canela e que também preservou uma área com pés de ervilha. Para ele, “basta haver vontade política”.
A moradora do bairro, Maria Lina Volkmer, afirma que o problema não é só o desmatamento. “Com este prédio teremos uns cem carros a mais circulando pelas ruas”, lamenta. Ela, que é professora de uma escola próxima, lembra com saudade do ano 1977, quando se mudou para o bairro Petrópolis. “Tinha muita segurança, a vegetação era intensa e o bairro tinha apenas casas”. Maria reconhece que é necessário se adaptar às mudanças, mas afirma que o atual plano diretor desrespeita o meio-ambiente.
Em 1999 os moradores já haviam realizado um abaixo-assinado para que a área em questão fosse transformada em praça, mantendo uma casa que existia ali em centro cultural. O documento foi encaminhado ao poder público, mas a solicitação não foi atendida.

Deixe um comentário