A Associação dos Moradores da Cidade Baixa está se mobilizando contra a instalação de um terminal de ônibus no Largo Zumbi dos Palmares, como prevê o projeto Portais da Cidade, apresentado no mês passado pela Prefeitura de Porto Alegre.
Há três semanas, a comunidade iniciou um abaixo-assinado e busca, através do Conselho do Plano Diretor, uma reunião com o secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Clóvis Magalhães, para saber mais detalhes da proposta, que estabelece a construção de mais dois terminais – Cairu e Azenha – com o objetivo de diminuir o fluxo no Centro da Capital.
De acordo com a vice-presidente da Associação, Kira Zanol, os moradores do bairro não foram ouvidos na elaboração do projeto. “Não houve discussão, essa proposta caiu de pára-quedas”, reclama.
Além do tumulto noturno dos bares, que tomaram a Cidade Baixa nos últimos anos, a moradora prevê maior movimento durante o dia, aumento da violência e desvalorização do bairro. “Junto com o terminal virão os camelôs, os trombadinhas, a poluição sonora e atmosférica”, entende.
Moradora iniciou a mobilização
A moradora Ana Lúcia Lucas teve a iniciativa e montou uma “barraca” no meio da feira Modelo, que acontece as terças-feiras no Largo. Munida de uma faixa improvisada, um banquinho e duas caixas de fruta, que servem de mesa, e algumas laranjas para segurar as folhas, Ana Lúcia ataca todos que passam pela feira para falar do terminal.
Aos sábados, ela e outra vizinha, utilizam o capô da caminhonete de um dos feirantes para arrecadar as assinaturas. O abaixo-assinado também foi distribuído nos prédios e no comércio do bairro.
Segundo a Ana Lúcia, já são mais de 4 mil assinaturas. “Toda a comunidade é contra. Não queremos que a feira saia daqui, nem que transformem esse local num terminal de ônibus”, diz a moradora.
Feirantes não querem deixar o Largo
Os feirantes do Mercadão do Produtor e da Feira Modelo, realizados no Largo aos sábados e as terças-feiras respectivamente, também são contra o projeto, mas não estão se mobilizando por medo de retaliações da administração municipal.
“Dependemos da licença da Prefeitura, por isso não podemos agir contra, mas o ideal seria ficar no local, porque tem estacionamento e fácil acesso aos ônibus”, diz Antônio Fonseca, presidente da Associação dos Usuários dos Mercadões da Ceasa, entidade representativa dos feirantes.
A Prefeitura pretende transferir as feiras para a rua da República, entre a João Alfredo e a Praia de Belas, mas os comerciantes não aprovam a idéia. “As vendas devem diminuir de 20% a 30% com a mudança, porque na República o acesso é mais difícil e não estaremos à vista da população”, prevê Fonseca, que trabalha há 20 anos na feira de sábado.
Mais de 80 feirantes participam das feiras da Epatur. Cerca de 50 aos sábados, dos quais 30% são pequenos produtores, e 30 nas terças-feiras. A feira de sábado, chamada de Mercadão do Produtor, é uma das mais antigas da cidade, funciona desde 13 de outubro de 1982.

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