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Lançamento da IsoPixel acontece no Studio Clio, nessa segunda-feira (Divulgação)
Naira Hofmeister
A noite da segunda-feira, 21 de agosto, marcou lançamento de um novo veículo dedicado à práticas quase esquecidas no jornalismo contemporâneo. IsoPixel, uma revista eletrônica editada pela Brasil Imagem, vai levar para o meio digital aquilo que clássicas revistas como Cruzeiro e Realidade representavam no jornalismo impresso dos anos 60: espaço.
“A IsoPixel representa um resgate das grandes reportagens com ênfase social e cultural e com espaço aberto à fotografia documental”, assinala Carlos Carvalho, editor da IsoPixel. A revista é uma resposta à mercantilização da notícia, prática comum nas ‘empresas jornalísticas’ da atualidade: “O jornalismo deixou de ocupar o terreno da informação e da cultura para virar uma linha de produção”, critica o fotógrafo. “A fotografia perdeu ainda mais do que o texto, pois ficou reduzida a um registro de fato feito em duas colunas”., complementa.
Inicialmente, a IsoPixel terá uma edição mensal, e, sem anunciantes corajosos o suficiente para bancar o projeto, a revista vai publicar trabalhos já realizados, mas que nunca se tornaram públicos por falta de interesse de veículos. A previsão e que, dentro de seis meses, a atualização do site seja quinzenal e, no final de um ano, torne-se semanal. “Ainda contaremos com colunistas e com uma parte voltada a notícias, que terá atualização mais freqüente”, revela Carvalho.
Ao cabo de um ano, Carvalho espera que a IsoPixel já tenha crescido o suficiente para encomendar pautas: “Queremos chamar os grandes nomes da fotografia jornalística e bancar as matérias. É um sonho, mas acreditamos que é absolutamente possível”.
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Carvalho: o sonho de resgatar a força do fotojornalismo dos anos 60 (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)
Para isso, a proposta comercial da IsoPixel também será diferenciada, assim como o seu conteúdo. Os anúncios serão voltados aos interesses do público-alvo da revista – essencialmente fotógrafos e admiradores de grandes reportagens – e funcionarão como um serviço: “Não queremos pendurar um anúncio do Submarino ou das Lojas Americanas, só para ganhar dinheiro”, avisa Carvalho.
A revista também vai primar pela busca de novos horizontes para o jornalismo: a partir do segundo número, entra no ar o link IsoMultimídia, que vai disponibilizar reportagens com texto, som e imagem. “Essa tecnologia já é aplicada em jornais como o Washington Post”, exemplifica. Carvalho acredita que a inovação permite ampliar os apelos emocionais da matéria: “O fotógrafo pode inserir um depoimento próprio, músicas ou outros elementos que não entram na fotografia”.
Por essa junção entre práticas mais antigas com o que há de vanguardista na produção fotojornalística é que a revista ganha o nome de IsoPixel, referência à dois elementos análogos da fotografia em película e da moderna digital. A sigla ISO se refere a International Standards Organization, a organização que dá referências e padrões aos filmes. Um dos mais conhecidos é o padrão ISO, ou ASA, que mede a sensibilidade dada pela quantidade de grãos de prata que vão na emulsão que recobre o acetato do filme. Já Pixel refere a “sensibilidade” do arquivo digital. Grosseiramente, é onde estão as unidades de “pontos de luz”, que são tão sensíveis quanto os grãos de prata de um filme.
“As grandes matérias fotojornalísticas não dependem da tecnologia, e sim, da postura do fotógrafo”, acredita Carvalho, que utiliza tanto a tecnologia digital como as velhas máquinas analógicas em seus trabalhos. A festa de lançamento da IsoPixel acontece às 19h dessa segunda-feira, 21, no Studio Clio (José do Patrocínio, 698).
Primeiro número entrou às 18h
Encabeçam a edição três reportagens de fotojornalistas brasileiros, todas com ênfase social. A primeira, de João Roberto Ripper, foca a vida das marisqueiras da Bahia. O assunto abordado pelo gaúcho Luiz Abreu é a soja e, finalmente, o próprio Carlos Carvalho publica a recém realizada reportagem sobre os embates entre quilombolas do Espirito Santo e a Aracruz Celulose.
“Me perguntei se não seria estranho o editor publicar uma matéria já na primeira edição, mas concluí que era uma bobagem, pois retrata o futuro cenário da metade sul do Rio Grande, que vai receber as papeleiras em breve”.
Manifesto da IsoPixel: Um Olhar e mil palavras
É assim, com um Olhar em maiúscula, para definir o trabalho autoral, auxiliado pelas palavras e o conteúdo de uma grande reportagem. A revista IsoPixel, nasce para reafirmar e unir.
Reafirmar o olhar consolidado de trabalhos autorais que ao longo de mais de um século, nos trouxeram informação, visão humanista, documentação e a busca de uma estética que interfere no social, no cultural, e no dia a dia de todos os povos, sempre com uma linguagem gravada em um acetato que aprendemos a chamar de negativo e que consagrou inúmeros mestres da fotografia.
Unir dois mundos – o ISO do negativo consagrado, e o universo Pixel – das novas tecnologias que aumentaram geometricamente o espaço da propagação da notícia e das imagens.
A fotografia documental e a notícia ganham seu espaço nobre em nossas páginas eletrônicas, trazendo aos nossos leitores e parceiros um encontro entre a estética e o interesse social e público, uma combinação que já estava na hora de resgatar. Bem vindos à revista IsoPixel!

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