Antônio Pires Cechin, fundador da Comissão Pastoral da Terra no RS, morreu aos 89 anos nesta quarta-feira, 16. Ele estava internado no Hospital São Lucas da PUCRS se recuperando de uma fratura na bacia. Irmão Cechin foi militante de movimentos sociais ligado a causas ambientais e irmão Marista. Foi fundador da Pastoral da Ecologia, da ONG Caminho das Águas, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), criador da Romaria da Terra e da Romaria das Águas, idealizador da missa em honra a Sepé Tiaraju.
Nascido no dia 17 de junho de 1927, em Santa Maria, Ingressou no Juvenato dos Irmãos Maristas em 1937, com 10 anos incompletos. Aos 16 anos, em 24 de janeiro de 1944, emitiu os votos temporários, tornando-se Irmão Marista. Formado em Letras Clássicas e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, foi professor e diretor em colégios da Congregação Marista e secretário da Faculdade de Filosofia da PUC-RS.
Preso político em 1968, o irmão deixou o Colégio Rosário e a PUC, onde lecionava, e foi trabalhar em comunidades eclesiais de base na periferia de Canoas. Em 1979, organizou a primeiro ocupação urbana na Região Metropolitana. Em 1986, junto com sua irmã, Matilde Pires Cechin, começou a trabalhar com a população da Ilha Grande dos Marinheiros, na época, com cerca de 2 mil habitantes vivendo em extrema pobreza.
O sepultamento acontece nesta quarta-feira, às 17h30, no Cemitério Marista de Viamão.
Pioneiro no trabalho com reciclagem
Irmão Antônio Cechin é reconhecido nacionalmente por seu pioneirismo com as unidades de reciclagem e com a organização de catadores de material reciclável, considerados por ele “profetas da ecologia”. Parte de seu trabalho com unidades de reciclagem é contada no livro “Pioneiros da Ecologia”, lançado pela JÁ Editores em 2002.
Confira um trecho:
“‘Os papeleiros que moravam lá eram muito pobres, viviam na maior promiscuidade’, diz ele. Criadores de porcos, em sua maioria, eles viviam cercados de lixo e suas crianças cresciam soltas nesse ambiente marcado por enchentes duas vezes por ano. Ao contrário de Canoas, onde o trabalho envolvia pessoas com emprego fixo e uma certa estrutura familiar, na ilha os irmãos Cechin lidavam com gente vinda do interior ou decaída no meio urbano, cuja sobrevivência era tirada do lixo. Pessoas sem profissão, membros de famílias desestruturadas, viviam todos em conflitos mútuos e eram, ainda, estigmatizados como ‘ ladrões de lixo’ pelas autoridade municipais da época.
Inicialmente, os irmãos Cechin tentaram organizar a separação do lixo seco. ‘Naturalmente não foi fácil, pois o pessoal desconfiava de tudo, até das nossas intenções’, diz ele. Enquanto lutava para convencer a comunidade a aderir ao projeto, ele procurou o chefe do departamento de Limpeza urbana, Vieira da Cunha, que concordou com o trabalho, mesmo lembrando que a ilha era um parque ecológico. Em seguida, Cechin conseguiu junto à Cáritas, da Igreja Católica, uma verba (‘irrisória’) para levantar um galpão – só telha, sem paredes. Do Colégio Bom Conselho, das irmãs franciscanas, veio como doação um caminhão para recolher o lixo.”
O livro Pioneiros da Ecologia (Já Editores, 2002) está à venda no site do JÁ e nas boas livrarias.
Morre aos 89 anos Irmão Antonio Cechin, um pioneiro da ecologia
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