Movimento defende Carris pública e transparente

A Companhia Carris Porto Alegrense, que já foi premiada como a melhor empresa de ônibus do Brasil, deve permanecer pública e voltar a ser a empresa de transporte referência de qualidade  em todo o país.
Esta foi a síntese das intervenções dos participantes do colóquio “Qual a Carris que Queremos?”, realizado pela bancada do PT na Câmara Municipal de Porto Alegre na tarde desta quarta-feira (03/05).
O debate foi proposto pela Comissão de Funcionários, diante das ameaças de venda da empresa por parte do prefeito Nelson Marchezan Junior.
Os prejuízos são uma realidade dos últimos anos, quando começou o sucateamento da frota, desmotivação dos funcionários e do recente déficit da empresa.
Entre os encaminhamentos do debate está a apresentação objetiva da real situação a todas as bancadas na Câmara e ao Executivo.
A bancada petista integra as Frentes Parlamentares em Defesa da Carris e em Defesa do Serviço Público. O vereador Odacir Oliboni também protocolou Projeto de Lei condicionando a venda de empresas públicas a realização de plebiscito.

Movimento vai mostrar ao Executivo e demais bancadas dados que confirmam a viabilidade da empresa / Foto Marta Resing
Movimento vai mostrar ao Executivo e demais bancadas dados que confirmam a viabilidade da empresa / Foto Marta Resing

“No Executivo fomos agentes públicos capazes de gerir com qualidade e boa gestão. Vamos apresentar as propostas de como fazer”, disse a líder da bancada, Sofia Cavedon, que conduziu o colóquio. Estiveram presentes também dos vereadores Adeli Sell e Marcelo Sgarbossa. Sofia anunciou que a bancada do PT vai solicitar nova auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) com urgência na Carris.
Sucateamento intencional
“Os problemas são de gestão e nós não somos responsáveis pela situação” afirmou Cristiano Soares, que falou pela Comissão de Funcionários. Segundo ele, dos 358 veículos da empresa, cerca de 80 ônibus estão parados por falta de peças, sem estimativa para voltarem a circular. “Defendemos a Carris, forte, com papel estratégico para o desenvolvimento cidadão, inclusiva e que permaneça sob controle público”, registrou.
A Comissão de Funcionários e o Sindicato dos Rodoviários apresentaram um diagnóstico e um conjunto de informações que retratam o descuido na gestão da Companhia. Eles identificam uma uma série de movimentos para inviabilizar a empresa dizendo que não é sustentável, para encaminhar a sua privatização.
O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sandro Abadi, disse que muitos ônibus em circulação estão com pneus carecas, utilizando peças recicladas de outros carros, usando água da torneira para o sistema de arrefecimento e óleo queimado para completar o reservatório de óleo de motor. “A Carris hoje tem a frota mais velha da capital”, lamentou.
Funcionários inseguros
“Como funcionários estamos sendo massacrados, ameaçados de demissão por qualquer motivo e em pânico com gestões temerárias. Nos sentimos reféns”, desabafou Najla da Veiga, relatando que os administradores anunciam que 40% do quadro deve ser demitido. “Somos uma empresa que preza o bom atendimento e nos mobilizamos por isso. Mas estamos sendo desrespeitados e penalizados”, acentuou, respaldada por vários funcionários presentes.
O sucateamento da empresa, o encerramento da formação permanente, e o descalabro salarial entre os quadros de carreira e os Cargos em Comissão também foram relatados.
O funcionário da Carris e representante da CUT no Comtu, Alceu Webber, reforçou a estratégia do Executivo de sucatear e fragilizar a empresa para repassá-la à iniciativa privada. Listou linhas rentáveis já repassadas para operadores privadas e linhas deficitárias assumidas pela companhia pública. “Estão retirando receita e precarizando. Com esta fórmula não tem como não ter déficit”, ironizou, defendendo regulação  para evitar evasão de receitas e apontando superfaturamento em contratos com prestadores de serviço. Ele ressaltou ainda que quando a Carris foi premiada como a melhor do país, “tínhamos em curso o Programa Qualidade Carris, responsabilizando tanto operadores quanto manutenção, e havia quadros de transparência dos dados de cada período: absenteísmo, acidentes, etc, e treinamento sistemático e permanente de todos os funcionários”.
Desvios e irregularidades
“É um festival de irregularidades, com roubos e dezenas de apontamentos pelo Tribunal de Contas do Estado”, registrou o economista Paulo Müzzel, funcionário público aposentado e presidente da empresa em 1989/90. Com dados da própria Prefeitura, mostrou que as últimas gestões foram irresponsáveis, levando a empresa a um quadro de prejuízos estimados em R$ 140 milhões nos últimos três anos. Destacou ainda o crescimento do quadro de funcionários, que em 2000 era de 1.377, atualmente é de 2.337.
Para Luiz Carlos Bertotto, especializado em empresas públicas, e gestor da Carris em 1993/94, é um absurdo pensar em privatizar. “É preciso modernizar e mantê-la pública. Bem gerida, pode-se fazer coisas de ponta e muito bem feitas. Já foi a melhor empresa de transporte do Brasil e dava lucro”, afirmou o ex-secretário municipal de Transportes, ex-presidente da EPTC, Detran e da EGR.
“É preciso controle na gestão da empresa, na gestão pública da receita do transporte como prevê a Lei de Mobilidade. A Carris é uma empresa viável”, garantiu. “Já mostrou isso e tem vocação para atender a cidade. Só não vê quem pensa a cidade como negócio e não como espaço de cidadania”, completou Mauri Cruz.
 
(Com informações do gabinete de Sofia Cavedon)
 

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Comentários

Uma resposta para “Movimento defende Carris pública e transparente”

  1. Avatar de Gildo Zounar Rodrigues
    Gildo Zounar Rodrigues

    ótima matéria! Parabéns. Carris 100% pública.

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