Enquanto aguardam a convocação da audiência pública oficial para debater o projeto de revitalização do Cais Mauá de Porto Alegre, que será feita pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, movimentos comunitários e ambientalistas decidiram realizar seu próprio debate.
O coletivo Cais Mauá de Todos, crítico à proposta apresentada pelo consórcio vencedor da licitação para realizar a obra, está chamando os habitantes da Capital para participar de uma audiência pública popular no dia 1º de agosto.
Com o título de “Pára tudo!”, um evento foi criado no facebook para divulgar o encontro.
A ideia surgiu depois que o consórcio protocolou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental do empreendimento (EIA-Rima) que, entre outras implicações, prevê a derrubada de 330 árvores no entorno do Cais e alterações no trânsito dando prioridade para a circulação de automóveis.
Há também preocupação com a construção de “torres muito mais altas do que nas imagens exibidas à população” e com a desistência, por parte do empreendedor, de cobrir o shopping center que será construído ao lado da Usina do Gasômetro com um telhado verde, como havia sido anunciado anteriormente.
“Pretendemos dialogar com a população e principalmente com os moradores do centro, afetados diretamente pela intervenção pretendida”, justificam os organizadores do evento.
para ativistas, projeto é deboche
O EIA-Rima do cais Mauá alerta ainda para a falta de manutenção do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre – que tem no Muro da Mauá sua face mais conhecida – o que poderia levar a falhas em uma eventual necessidade de acionamento.
“E para fechar o deboche com a população, apresentaram em PDF estapafúrdias idéias a serem aprovadas, como um passeio de helicóptero turístico, uma mega Roda-Gigante, um ônibus anfíbio…A especulação na especulação”, lamentam os ativistas.
O documento foi protocolado na Smam no dia 1º de julho, mas tramita na prefeitura há pelo menos três anos. Em abril, uma lista com contrapartidas cujo valor alcançava os R$ 36 milhões foi entregue ao Executivo Municipal.
Agora a pressa de agendar a audiência pública é do empreendedor, já que não há um prazo estabelecido para sua realização. A única obrigação é que ela seja convocada através de um edital publicado em jornais de ampla circulação, 45 dias antes de sua realização – período no qual a população pode consultar o EIA-Rima na biblioteca da Smam. O estudo já está disponível para quem tiver interesse de mergulhar nas mais de duas mil páginas.
Falta de diálogo é a maior crítica
O grupo, que desde o início do ano vem realizando intervenções para refletir sobre a proposta – e que inclusive apresentou um projeto alternativo para a área – reivindica maior participação popular no processo.
“Apresenta-se o projeto na mídia como se estivéssemos assistindo o futuro acontecer na nossa frente, mas sequer podemos decidir se é esse futuro que queremos para o Cais, e como consequência, para todos nós”, reclamam.
Indignado com a falta de receptividade do poder público e dos empreendedores, eles dizem que agora é a hora do “não”. “Desde o começo do ano propusemos debate, queremos ser propositivos, mas agora é a hora do não! Não queremos um projeto de revitalização que não ouve a população. E que sequer parece ter investidores interessados”, provocam.
mostra de economia criativa é outra atração
Além do debate popular – que terá entre seus convidados o presidente da seccional gaúcha do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Tiago Holzmann, a criadora do projeto alternativo para a área, Maria Helena Cavalheiro, e a líder do Ocupe Estelita no Recife, Liana Cirne Lins – outras atrações estão sendo organizadas.
O grupo quer fazer na Praça Brigadeiro Sampaio uma grande mostra de economia criativa, que inclua entre as atividades planejadas ideias que pudessem ser implementadas no Cais Mauá idealizado pelo coletivo.
Para isso o local receberá também uma feira de música e filmes e quiosques com venda de cerveja artesanal e produtos orgânicos. “E o que pintar no espaço livre à manifestação popular”, convidam os organizadores.
A audiência pública popular e a feira de economia criativa ocorrem no sábado, dia 1º de agosto, às 15 horas, na praça Brigadeiro Sampaio, no Centro Histórico de Porto Alegre.
Movimentos convocam audiência pública popular sobre Cais Mauá
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Comentários
Uma resposta para “Movimentos convocam audiência pública popular sobre Cais Mauá”
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Será que é so deboche ou falta de dialogo ou é coisa muito mais séria?
Seria PROPINA ou PARCERIA no “BOLO” o maior incentivo dos políticos que lutam pela ocupação da área?
É constrangedor saber que a classe política interessada e que defende a ocupação do Cais Mauá conjeguiu, sem contestações, entregar a área de 118.000 m2 do Cais á um grupo por apenas R$ 200.000,00/mês valor que não se consegue 2.000 m2 em terreno na área central.
Isto não é negócio é negócio é negociata e caso para a Polícia Federal.

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