Coletivo passará a se chamar “A cidade que queremos” e funcionará a partir de capítulos relacionados aos problemas de Porto Alegre – primeiro será o Cais Mauá
Naira Hofmeister
Representantes de pelo menos dez organizações da sociedade civil, vinculadas aos movimentos ambientalista, comunitário e de mobilidade urbana, decidiram, na manhã desta sexta-feira, 25, rearticular o extinto Fórum das Entidades, fundado em 2007 para acompanhar a revisão do Plano Diretor de Porto Alegre na Câmara Municipal.
“Foi o momento em que a resistência cidadã ganhou mais corpo e quase alcançou sua primeira vitória com a consulta popular do Pontal do Estaleiro. Se não fosse a manipulação da pergunta (que restringiu a resposta a permitir habitações no empreendimento), nosso “não” teria um impacto tremendo”, recordou o ex-coordenador do Fórum de Entidades e integrante da Associação Comunitária do Centro Histórico de Porto Alegre, Paulo Guarnieri.
Dessa vez, ao invés de receberem uma convocação do Legislativo, a iniciativa foi das próprias organizações, que identificaram a necessidade de unificar a pauta de reivindicações hoje exposta de forma individual.
A ideia surgiu durante o mais recente Agapan Debate, que discutiu projetos previstos para a orla do Guaíba que vem recebendo críticas ao longo do ano – caso da revitalização do Cais Mauá, do Parque do Pontal (antigo Pontal do Estaleiro) e do paisagismo desenhado por Jaime Lerner para a área da Usina do Gasômetro.
Na ocasião, a Agapan se comprometeu a encabeçar a organização. “Não temos a pretensão de liderar esse grupo, estamos a serviço do coletivo”, ponderou o presidente da entidade ambientalista, Leonardo Melgarejo.
Intenção é unificar movimentos urbanos
Como a pauta do momento é o Cais Mauá, será este o foco imediato do coletivo, que planeja conectar o debate sobre este projeto com outros que provocarão impacto na orla do Guaíba. É o caso da construção de espigões na área do Beira-Rio, do paisagismo de Lerner na região do Gasômetro e ainda do Parque do Pontal, cujas audiências públicas foram realizadas no primeiro semestre e para o qual os ativistas ainda consideram possível uma reversão.
“Temos material para tentar mais uma vez comprometer a Justiça com a necessidade de deter esse processo”, explicou o advogado Caio Lustosa, que coordena o coletivo jurídico contrário ao empreendimento na Ponta do Melo.
Entretanto, as entidades concluíram que o ideal é ampliar o debate para incluir movimentos interessados em discutir a questão urbana de modo mais amplo – por isso, propuseram chamar o movimento de “A cidade que queremos”.
Estava lá, por exemplo, a ONG Mobicidade, que se concentra em propor alternativas ao trânsito de automóveis. Outros ainda foram lembrados: “Precisamos convocar o Petrópolis Vive, o Moinhos Vive, aquele pessoal que resistiu à trincheira da Anita”, sugeriu um participante – cuja lista foi complementada por um interlocutor que lembrou do Defesa Pública da Alegria.
Diversas ações já estão sendo planejadas pelo grupo, entre elas atos de rua, seminários de ideias, e frentes de diálogo com os campos político e jurídico.
A próxima reunião já está marcada para a próxima sexta-feira, 2 de outubro, às 10h, na Assembleia Legislativa e a expectativa é que haja um número ainda maior de entidades representadas.
Movimentos rearticulam Fórum de Entidades em defesa da orla
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