Antes era uma forma diferente de malhar, praticar exercícios, agora, é para defesa pessoal. Marci Minela nunca havia praticado arte marcial. No começo deste ano decidiu procurar o Muay Thai. “Eu precisava de uma forma de me defender, sem precisar de ajuda externa. Sempre trabalhei de noite e voltava pra casa sozinha de madrugada.” A ideia era aprender a se defender, mas a luta acabou tomando um espaço maior na sua vida. Hoje Marci é instrutora de Boxe, treina Muay Thai todos os dias e mudou o foco, quer competir. Em novembro ela faz sua primeira luta e a segunda já está agendada para dezembro.
Assim como ela, muitas mulheres estão buscando na prática das artes marciais uma forma de se defender. “As meninas querem saber que, se alguma coisa acontecer, elas conseguem se livrar de uma ruim, sair de cabeça erguida. A violência doméstica acabou virando um assunto muito aberto, todo mundo sofre ou conhece gente que sofre com isso e não sabe exatamente o que fazer.”
Marci é atleta do Time Guazzelli, criado pelos irmãos Pedro e Rodrigo Guazzelli e é treinada por Pedro. Ele dá aulas de Muay Thai em dois locais, na academia Over Boxe, que funciona na Sociedade Israelita, e no Lindóia Tênis Clube, e conta que metade das suas turmas são formadas por mulheres. Em dez anos como lutador e cinco dando professor, ele ve esse movimento crescer.

Recentemente, Pedro organizou uma aula de defesa pessoal para mulheres, a pedido de um grupo de amigas. “Tem toda uma mítica, um discurso de se proteger dos bandidos com defesa pessoal. Minha ideia era botar isso no chão e pisar em cima. Porque muitas vezes o bandido está em casa, muitas vezes é o próprio companheiro.”
Segundo Pedro Guazzelli, existe muita lenda e fantasia em torno da defesa pessoal. “Tem muita coisa de filme, quebra o dedinho, enfia o dedo no olho, puxa a barba. Nenhuma dessas alavancas menores detém um ataque e são muito difícieis de serem aplicadas. Eu passo algumas técnicas do Muay Thai, como clinch e a joelhada e o preparo físico, que é muito importante na defesa pessoal, nem que seja pra correr.”
Marci conta que nunca precisou usar seus conhecimentos fora do ringue. “Espero nunca precisar. Uma coisa é treinar com os amigos. Ter que usar porque alguém está invadindo o teu espaço, é algo bem mais sério. Luta é uma coisa que se treina pra não usar.”
Mulheres buscam artes marciais para defesa pessoal
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