Municipários se mobilizam por aumento

Municipários protestaram entre 10h e 13h da quarta-feira, 27 de setembro (Fotos: Kiko Coelho/JÁ)

Naira Hofmeister

Desde as 10h da manhã dessa quarta-feira, 27 de setembro, mais de 100 municipários se reuniram em frente à sede da prefeitura de Porto Alegre, reivindicando a incorporação do reajuste de 4,63% a uma parte da categoria.

O ato público chamava atenção para os municipários do chamado Nível 2b, parcela que engloba os mais baixos salários como o de operários e de auxiliares de cozinha, que até abril recebiam um salário menor que o mínimo regional, de R$ 326.

Como a situação era inconstitucional, o Governo foi obrigado a conceder um reajuste de 7,1% para equiparar os vencimentos, em abril de 2006. A Prefeitura entende que os 4,63% de anuidade que concedeu ao resto da categoria já estariam contemplados no aumento de abril.

“Se concedêssemos os dois índices estaríamos privilegiando uma parte com uma reposição de 11%”, argumenta a secretária municipal de Administração, Sônia Vaz Pinto. Os municipários discordam. “Os 4,63% incidiam sobre o salário de maio, que já era de R$ 350”, diz Mario Fernando Silveira, 1º Secretario do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa).

Por volta das 11h30, representantes do Simpa foram recebidos pela equipe de negociação da Prefeitura. Depois de mais de uma hora de conversa, o grupo saiu insatisfeito com a posição do poder público.

Mais de 90 minutos de reunião sem acordo

“O máximo que conseguimos foi o comprometimento em buscar uma audiência com o próprio prefeito, que não recebeu nossa comissão nem uma vez, desde a posse”, reclamou Carmem Padilha, presidente do Sindicato.

A secretária municipal de Administração, Sônia Vaz Pinto, acredita que a Prefeitura foi generosa com a categoria porque concedeu 7,1% de aumento. “Até porque, contando com as horas-extras ou tempo de serviço, não há operários que recebam abaixo do salário mínimo”.

Ela explica que a Prefeitura interpretou a lei como se referisse a faixa salarial, e não o indivíduo, o que proporcionou a reposição. “A lei é clara e se aplica ao servidor e não à classe. Ainda assim, a reposição foi sobre o salário base”.

Os sindicalistas insistem que a Prefeitura deveria conceder o aumento a esses servidores, que somam pouco mais de mil. Outro argumento é que o impacto na folha de pagamento seria mínimo. “Acrescentaria algo em torno de R$ 24 mil”, calcula Carmem Padilha, que ainda critica o pagamento de Funções Gratificadas à outros servidores, como os lotados na Fazenda. “Nesse caso, os R$ 24 mil são atingidos com o pagamento de FG a quatro pessoas”.

Para a secretária de administração do município, essa comparação é simplista e deve ser evitada. “A gente sabe que não é assim que deve ser analisado”. Ainda assim, garante que o prefeito “está sempre aberto às negociações e que o dialogo será mantido”.

Carro de som executa paródia de “Porto Alegre é Demais”

A manifestação, acompanhada por cerca de 100 dos mil municipários sindicalizados foi animada pelo carro de som, que executou uma versão composta por duas integrantes do movimento, para a canção “Porto Alegre é Demais”, de José Fogaça.

Carro de som conferiu bom humor ao protesto

A voz doce da intérprete do Sindicato era muito parecida com a de Isabela Fogaça, que canta o original, e confundiu alguns integrantes: “Ela passou para o nosso lado”, brincavam.

Com nova letra, “Porto Alegre é que tem/ um jeito legal/ é lá que as gurias/ etcetera e tal”, virou “Porto Alegre não tem/ um prefeito legal;/ ele só nos enrola/etcetera e tal”. Outra parte dizia: “Porto Alegre me dói/ não tenho um vintém/ eu vou ter ganhar/ reajuste já/ e o vale-refeição/ vai ter aumentar também”.

Co-autora da adaptação sindicalista para o clássico de Fogaça, Solange Corrêa prometeu investir seu talento em outra canção famosa do prefeito: “Já estamos trabalhando Vento Negro”, anunciou.

Além da música composta pelos integrantes do Sindicato, a trilha sonora do protesto incluía Gabriel, O Pensador (Até quando vai ficar levando/ Porrada, porrada/ Ate quando vai ficar sem fazer nada/ Até quando vai ser saco de pancada?) e Gilberto Gil (Andar com fé eu vou/ que a fé não costuma falhar).

Moradores do Parque dos Maias se juntaram aos municipários

Por volta das 11h, o grupo de 100 municipários reunidos no Paço Municipal, recebeu um reforço extra. Cerca de 20 moradores do Parque dos Maias protestavam contra a desapropriação promovida pela Habitasul para a construção de um empreendimento residencial. A reclamação é que a maior parte dos desapropriados ganharam benefícios da Caixa Econômica Federal para adquirir os novos imóveis.

A parte do contrato gerida pela Habitasul não inclui nenhum tipo de subsídio para os atuais moradores financiarem os imóveis. “Não queremos nada de graça, queremos pagar um preço justo pelos apartamentos”, disseram os representantes do movimento. Uma comitiva do grupo também seria recebida na Prefeitura.

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