Na capital, 'sala de situação' monitora as águas do RS

Não é segredo mas, fora do círculo dos técnicos em ambiente e meteorologia, pouca gente sabe que no 13º andar do Edifício União, no início da Avenida Borges de Medeiros, no miolo de Porto Alegre, funciona uma moderna Sala de Situação do Clima onde especialistas acompanham em computadores e telões as variações climáticas expressas em nuvens, ventos, descargas elétricas e chuvas capazes de criar riscos de cheias ou de secas para as populações rurais e urbanas do Sul do continente. Qualquer alteração potencialmente perigosa é comunicada em primeira mão à Defesa Civil, mas o serviço é público e acessível a qualquer pessoa pelo site http://www.saladesituacao.rs.gov.br/.
O denominador comum dessa operação é a gestão das águas, situação burocraticamente centralizada no Departamento de Recursos Hídricos da antiga Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), cujo nome oficial mudou para Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, sem sigla por enquanto. O DRH é dirigido pelo engenheiro hidrologista Fernando Meirelles, cedido pela UFRGS, a pedido da secretária Ana Pellini.
Recém-chegado de Marrakech, onde participou (ao lado da bióloga Ana Pellini) da conferência mundial de 2016 sobre as mudanças climáticas, Meirelles lembra que a Sala de Situação começou a ser montada em 2012/2013 em convênio com a Agência Nacional das Águas (ANA). Era inicialmente um birô de previsão do tempo que recebeu um grande impulso após a conferência do clima de Paris, em dezembro de 2015, quando a delegação do Rio Grande do Sul se ofereceu para coordenar os esforços internacionais de gestão de recursos hídricos em face das mudanças climáticas.
Com a acolhida da oferta pela ONU, a SEMA passou a dispor de recursos nacionais e internacionais para montar uma rede de radares e estações hidrométricas que deverá cobrir todo o território gaúcho, integrando-se a instalações similares de estados e países vizinhos. Em outubro passado, como um dos primeiros passos no sentido de se criar uma rede de governos regionais para o desenvolvimento sustentável, estiveram na  SEMA técnicos da província argentina de Misiones. Vieram dispostos a conhecer o sistema gaúcho e iniciar o compartilhamento de informações. Estão por instalar um radar em um ponto do seu território.  Chapecó, em Santa Catarina, deve fazer parte do sistema. O Uruguai não deve ficar fora.
No Rio Grande do Sul, o primeiro radar com alcance de 240 quilômetros está instalado em Morro Reuter, na Grande Porto Alegre. A rede gaúcha de radares climáticos terá mais cinco unidades instaladas em Caxias do Sul, Santa Maria, Chuí, Livramento e São Borja. São aparelhos que identificam chuva, granizo, raios e ventos. Combinando informações de satélites, levantamentos por radares e monitoramentos dos níveis das águas em 15 estações hidrométricas atualmente instaladas em rios, lagoas e represas do Rio Grande do Sul.
O plano é chegar a 192 estações hidrométricas cujo status pode ser conferido por telefone celular: digitando o código da estação, o usuário da água – o produtor de arroz, por exemplo — saberá instantaneamente quanto ainda poderá retirar do recurso hídrico sem violar a outorga dada pela FEPAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente), o órgão licenciador e fiscalizador do uso da água.
Graças a tudo isso, o engenheiro Fernando Meirelles afirma: “Se antes corríamos atrás dos prejuízos das catástrofes, agora gerenciamos o futuro das mudanças climáticas.”

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