O escritor e humorista português Ricardo Araújo Pereira participa nesta quarta-feira de um debate na feira do livro ao lado de Luis Fernando Veríssimo, Gregório Duvivier e Antonio Prata. “Vou estar entre meus heróis”, confessa. O escritor falou com a reportagem do JÁ na manhã desta quarta.
Em um tempo em que temas como o racismo, o machismo e a homofobia estão em pauta, abre-se um debate também no campo do humor. O autor afirma que “é óbvio” que é contra o machismo, a homofobia, mas não defende que se procure calar quem defende estes discursos. “Por uma questão de saber quem essa gente é, até para me afastar delas, por exemplo.”
Ricardo critica também o comportamento de parte do público nas redes sociais. “Às vezes as pessoas olham para uma piada como se fosse um texto literal, têm dificuldade de entender ironia, principalmente no facebook. Não entender ironia parece ser um pré-requisito nas redes sociais.”
Autor de “A doença, o sofrimento e a morte entram num bar ” – uma espécie de manual de escrita humorística, Ricardo Araújo Pereira destaca como característica do humor o autodidatismo, o fato de não se ter escolas. “É algo que não ensina, mas que se aprende. O Veríssimo, sem saber, me ensinou muita coisa. Ler os textos dele te faz entender a forma dele raciocinar e de olhar as coisas”, afirma
Além de seus três colegas de mesa, ele cita outros autores brasileiros que contribuíram na sua formação como escritor e humorista, como Machado de Assis, Campos de Carvalho, Millôr Fernandes e Tati Bernardi. “A Tati é muito neurótica, ela tem uma certa dificuldade em estar viva, dá vontade de abraçar ela.”
Para Pereira, o objetivo maior do humor é fazer o outro rir: “Quem acha que isso é pouco nunca tentou fazer rir outra pessoa. É um ato de generosidade, algo nobre. E além do mais, tem uma função de reduzir o tamanho dos problemas. A gente consegue viver melhor se conseguir ver o mundo como uma coisa não tão grande.”
Sobre o conteúdo do debate, ele diz não saber exatamente o que será discutido e brincou: “Vai ter um moderador (Roger Lerina), eu só espero que ele faça as perguntas fáceis para mim e guarde as difíceis para os outros.”
Ricardo Araújo Pereira é jornalista, roteirista, humorista e colunista da Folha de São Paulo. Em maio de 2013, recebeu o Grande Prémio da Crónica pelo livro “Novas Crónicas da Boca do Inferno”, pela Associação Portuguesa de Escritores e a Câmara Municipal de Sintra.
O debate desta quarta-feira reunirá Ricardo Araújo Pereira, Luis Fernando Veríssimo, Gregório Duvivier e Antonio Prata e contará com a mediação de Roger Lerina. O tema do encontro é ““Humor, ou senso de humor, é, na verdade, um modo especial de olhar para as coisas e de pensar sobre elas? Uma estratégia para reagir a sofrimentos?”. O evento inicia às 19h30, no Teatro Carlos Urbim (Avenida Sepúlveda, entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul). A mesa terá tradução de Libras.
Após o debate, três dos participantes têm sessões de autógrafo marcadas. Ricardo Araújo Pereira autografa “Se não entenderes eu conto de novo, pá” e “A doença, a morte e o sofrimento entram num bar”, Gregório Duvivier autografa “Caviar é uma ova” e Antonio Prata autografa “João do pum”.
“Não entender ironia parece um pré-requisito nas redes sociais”: humorista português participa de debate na Feira do Livro
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