Tem algo acontecendo naquela calçada da Bento Figueiredo. Pequenos e criativos negócios, inaugurados em sequência, estão dando vida nova à rua, de apenas um quarteirão, entre a Ramiro e a Felipe Camarão.
Lucas Bueno, gerente do Lagon Brewery & Pub sente a diferença através dos comentários dos clientes. “Tem gente dizendo que agora da pra passar o dia inteiro na Bento Figueiredo.”
A rua hoje conta com três opções de almoço, sorveteria, casa de churros, duas lojas, duas casas de cervejas especiais e espetáculos burlescos à noite.
Inaugurado em 2010, o Lagon trabalha com o conceito de brewery, um local que vende as cervejas que fabrica. Até não muito tempo atrás, o pub estava solitário, próximo à esquina com a Ramiro.

No início deste ano, ganhou a companhia da loja de cervejas Bárbaros.
Em maio, mais um vizinho: a Vulp Bici Café, mudou-se da Miguel Tostes, para um espaço maior, ao lado do Lagon. “A gente sentiu necessidade de ter um espaço voltado para o ciclista urbano em Porto Alegre, uma espécie de um ponto de encontro”, explica Silvia Pont, sócia do bicicafé.
A Vulp também oferece almoço vegano e disponibiliza uma oficina comunitária para quem quiser dar manutenção na sua bicicleta mediante uma contribuição espontânea.

No outro extremo da quadra, próximo à Felipe Camarão, abriu em outubro do ano passado El Churrero, uma casa inspirada na tradição dos churros argentinos e uruguaios. O proprietário, Lucas Menegassi, conta que costumava comer churros em uma churreria de Punta Del Este e sentia falta de um local semelhante em Porto Alegre, onde os churros geralmente são vendidos nas carrocinhas de rua. A partir daí, Lucas, que é publicitário de formação, viajou para Argentina e Espanha, se aprimorando e criando sua própria receita de massa.
Ao lado do El Churrero, no número 32, inaugurou na metade de julho a Von Teese. “A ideia é um lugar que pareça um cabaré dos anos 20 à la Paris, mas que também tenha um mix de outros lugares, como o chá das cinco, por exemplo”, explica Carolina Disegna, sócia.
A Von Teese abre às 15h, como uma casa de chá. Quando a noite cai, vira um bar de coquetéis com espetáculos burlescos e diversas atrações, desde um mágico até noites de poquer.
Também chama a atenção de quem passa uma casinha cheia de antiguidades e cacarecos cenográficos e com uma cadeira pendurada na fachada. “A placa não ficou pronta para a inauguração, então eu acabei pendurando essa cadeira, porque ela representa muito a loja”, explica Pierre Rosa, dono da Gama, “um espaço de usados e reciclados”. Pierre é produtor de cenários. “Há 20 anos faço produção de objetos pra cinema e publicidade. Agora tava na hora de ter um cenário meu, pra brincar todo dia, pra mexer, pra comprar, pra vender.”
Objetos guardados da infância, trazidos de viagem ou adquiridos ao longo da vida, tudo ali está para negócio. A loja trabalha com compra, venda, troca e locação. Pierre conta que reformou a casa, construída em 1925, para deixá-la mais parecida com o visual original. A reforma toda foi feita em oito dias, em mais quatro a loja foi montada e no dia 20 de junho já estava aberta ao público.

Houve um tempo em que o Vermelho 23, à noite, era a única atração da rua. Hoje o estabelecimento funciona apena de dia, servindo almoço. Mas com a nova movimentação noturna, os vizinhos recém- chegados já especulam que a casa volte à boemia. Jair Lussani, proprietário do Vermelho, nega.
À tarde, as cadeiras na calçada convidam a sentar e ir ficando por ali. À noite são a música, as luzes e o movimento crescente de pessoas… Realmente, tem algo acontecendo naquele cantinho antes quieto do Bom Fim.
Negócios criativos dão nova vida à Bento Figueiredo
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