
Um ator desconhecido virou estrela em Gramado desde quinta-feira quando foi apresentado o filme “Netto e o Domador de Cavalos”, de Tabajara Ruas.
O filme tem nomes globais como Tarcisio Meira Filho, Werner Schünemann, mas quem está sendo assediado nas ruas é o estrante Evandro Elias, de 21 anos. Ele interpreta o negrinho na releitura que Tabajara Ruas faz da lenda do Negrinho do Pastoreio.
“É impressionante, ele emociona as pessoas, é muito carismático”, diz o diretor que foi descobrir Elias no teatro amador em Porto Alegre. “Incrível, eu conheci essa história quando era menina na Paraíba”, disse uma turista.
A lenda do Negrinho do Pastoreio tem origem remota. O primeiro registro escrito que se conhece é de um jornal de Montevideo, em 1809. O caso do estancieiro poderoso que martiriza o negrinho teria acontecido na campanha platina, num tempo em que as fronteiras não eram definidas. Recolhida por Simões Lopes Neto da tradição oral entrou para os clássicos da literatura. Ainda hoje se atribui ao negrinho o poder de achar coisas perdidas.

No filme de Tabajara Ruas a lenda é recontada no contexto da Revolução Farroupilha em que o personagem central é o não menos lendário general Netto. O filme de Taba, entre os concorrentes de hoje à noite, está suscitando reações contraditórias em Gramada. É o segundo longa do diretor de Uruguaiana, com a mesma temática e a mesma preocupação estética. Nos bastidores há críticas à abordagem gauchesca, tradicional, que seria ultrapassada. Mas depois que o filme foi exibido surgiram também os defensores entusiasmados que vêem na obra de Tabajara Ruas elementos inovadores.
A crítica, no entanto, ainda não se manifestou (até agora). Está em cima do muro.

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