
Espaço urbano é cada vez mais utilizado por grafiteiros (Foto: Carla Ruas/Arquivo/JÁ)
Carla Ruas
Iniciou nesta quarta-feira, 10 de agosto, o segundo semestre do Projeto de Extensão “Arte de Espaço Público”, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS. As aulas, direcionadas a estudantes da universidade e grafiteiros de Porto Alegre, apresentam a história da arte urbana e aproximam os dois ofícios, que atualmente vivem em conflito.
Desde o início do ano, seis alunos da Arquitetura e sete grafiteiros se reúnem uma vez por semana num ateliê da faculdade. Os estudantes se matriculam a cada semestre e os grafiteiros são convidados a participar do curso.
A idéia, inédita no Rio Grande do Sul, nasceu do casamento de uma disciplina eletiva chamada “Projeto nos Espaços Abertos” com discussão sobre o grafite nas edificações da cidade. Resultado: o idealizador do projeto, professor Rogério Malinsky, introduziu o grafite e os grafiteiros na sala de aula. Ele ensina a história da arte mural e incentiva a troca de experiências.
“A iniciativa foi bem recebida”, garante o acadêmico. Os artistas de rua dão depoimentos sobre a sua vivência e discutem percepção visual e composição artística. Para os alunos da faculdade, é uma oportunidade de ampliar o repertório para futuras criações arquitetônicas.
“Quando forem fazer uma obra, podem levar em conta a arte que será aplicada ali”. Assim, os futuros profissionais percebem como a arte pode colaborar na re-qualificação do espaço público.
O projeto de extensão trabalha com quatro vertentes. A primeira é a formação interdisciplinar, tanto dos grafiteiros como dos estudantes. Também abrange a humanização do espaço público, o grafite como arte e a difusão do projeto. “Queremos que os alunos reproduzam as suas experiências e virem multiplicadores dos ensinamentos”.
O curso também é uma forma de re-inserir os artistas de rua na sociedade, através da formalização da sua arte. “O grafite é um canal de expressão dos excluídos urbanos”, define Malinsky.

Grafite pode diminuir pichações na cidade (Foto: Carla Ruas/Arquivo/JÁ)
Ele acrescenta que é uma evolução da pichação, combatida pelos órgãos públicos e condenada pela sociedade. “A pichação vai continuar até que o seu potencial artístico seja incorporado formalmente”, acredita.
Resultados
A iniciativa criativa do curso de Arquitetura da UFRGS já apresenta resultados. Na Casa Cor deste ano, que ocorre de 20 de outubro a 26 de novembro, um painel será grafitado por dois alunos do curso, em parceria com uma arquiteta. A idéia partiu de uma aluna do projeto de extensão que trabalha no evento.
Além disso, os integrantes do grupo estão em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para adotar uma praça da cidade, que terá seus muros grafitados. A partir de outros projetos da Prefeitura, eles querem adotar um bairro de Porto Alegre. “Estamos em negociação” afirma Malinsky.
O professor pensa em conseguir patrocínio para expandir o projeto. “Já conversei com um fabricante de spray de São Paulo e uma indústria de tintas de Porto Alegre”, adianta. Com as contribuições, quer montar um ateliê equipado para o curso e oferecer oficinas para a periferia.
Em 2007, o projeto será inscrito no Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local, da Caixa Econômica Federal. “No futuro, queremos incluir no curso outras vertentes da arte na rua, como a escultura”, conclui o professor.

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