Adacir José Flores falou na Tribuna Popular da Câmara Municipal na tarde desta quarta-feira (9). Ele foi pedir socorro aos vereadores. Flores preside a Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov). Há anos a Arccov tenta levar adiante um projeto para recuperar a área, um monumento do patrimônio histórico, popularmente conhecido como Viaduto da Borges.
Nos últimos dois anos, mesmo a Prefeitura afirmando que tem um projeto na gaveta à espera de recursos, a situação só piorou. Com o aumento de habitantes sem moradia na cidade, o viaduto virou teto provisório de muita gente, que ali também encontra um banheiro público. Mas esta população desassistida não é a causa do abandono, e sim a consequência.

Flores relembrou que o grupo trabalha desde 2005, incentivado pelo então prefeito José Fogaça. “Fomos desafiados sobre o que poderíamos fazer pelo viaduto, e então elaboramos junto à comunidade o projeto de restauração”, explicou. “Hoje, este projeto, que envolve várias secretarias e órgãos municipais, está aos cuidados do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais”, contou.
Flores apresentou, em nome da entidade, uma solução para a execução do projeto de revitalização, que passa pela cooperação da Prefeitura com a Arccov. Eles querem buscar os recursos, mas como, se a Prefeitura não libera o projeto? “Queremos formalizar esta parceria para, posteriormente, reivindicar recursos para a obra através da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura)”, afirmou, ressaltando que a entidade tem condições para pleitear verbas e classificando o local como um patrimônio cultural da cidade. “Queremos deixar um legado para a área social, política e humana de Porto Alegre”, completou Flores.
O presidente da Arccov também classificou a situação atual do Viaduto Otávio Rocha, situado na Avenida Borges de Medeiros, como “crítica” e citou os moradores de rua que ocupam o espaço. Dono de um dos estabelecimentos mais tradicionais do viaduto – o sebo de livros e discos quase na esquina com a Jerônimo Coelho -, ele tem visto o viaduto tornar-se a síntese da ausência de políticas públicas de habitação na cidade. “É necessária uma solução humana para os moradores em situação de rua que lá se encontram, a fim de emancipá-los”, destacou.
Em agosto, no Dia Nacional do Patrimônio Histórico (17), um grupo de arquitetos e comerciantes tentou para chamar a atenção da população sobre a situação do viaduto Otávio Rocha.
Ninguém discorda, ninguém resolve
A arquiteta Adriana Cunha, do Grupo Paralelos Cruzados, disse que a iniciativa teve o objetivo de chamar a atenção para o local e a data, mostrando que é possível transformar um espaço visivelmente degradado. “É possível tornar esta área em pleno Centro Histórico um local agradável”, explicou.
Mas o cheiro de urina humana era tão forte, que os voluntários deixaram de realizar a prática de ioga. Os arquitetos e designers montaram um “tapete verde de grama natural” no viaduto Otávio Rocha, nas proximidades da rua Jerônimo Coelho. No local, foram colocados cadeiras, livros, gibis e uma roda de chimarrão foi feita no local. Para utilizar a área o grupo de arquitetos e comerciantes pagou o estacionamento da vaga da área azul.
Solução para moradores de rua
Flores compreende que os moradores da rua que vivem no espaço não estão ali por opção. Ele propôs a realização de uma feira permanente no viaduto como forma de revitalizar a área. “Queremos trazer mais vida para o viaduto e que as pessoas possam andar com tranquilidade na região”, acrescentou. O viaduto, um ponto privilegiado em pleno Centro da cidade, encontra-se completamente abandonado.
Segundo os envolvidos, tudo o que falta é o compartilhamento do projeto de restauração para que tenha início a tentativa d captação dos recursos pela Lei de Incentivo a Cultura. Flores relata que diariamente um ou outro habitante da região pergunta: “Quando é que a Prefeitura e vocês da Associação vão acabar com esse pardieiro?”

Deixe um comentário