O passado recente e o futuro próximo

Walmaro Paz
Para entender a crise política atual, isto é, a segunda parte do golpe iniciado com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, precisamos fazer uma leitura da política internacional. Com a queda do muro de Berlim e a suposta “derrota do socialismo”, o neoliberalismo perdeu seu grande opositor bélico e econômico, a União Soviética.
As forças reacionárias do imperialismo, agora disfarçadas sob o manto do processo de globalização, resolveram retomar as colônias perdidas durante a guerra-fria, todas nos antigos territórios dominados chamados por eles de terceiro mundo.
A África teria que ser recolonizada e ou seu povo exterminado através de guerras civis encomendadas pela indústria armamentista e pelas mineradoras. A América Latina deveria se submeter a uma nova fórmula da Doutrina Monroe: América para os americanos do Norte, transformando nossos países novamente em exportadores de commodities e importadores de produtos manufaturados.
No caso brasileiro, ainda no final dos anos 80 tentaram implementar um chamado social liberalismo, com Collor, liderança populista construída pela Globo (esta aliás o instrumento ideológico mais usado no processo). O povo brasileiro resistiu.
Então, ainda nos anos 90, criaram uma liderança com discurso de esquerda, mas totalmente submissa para fazer as privatizações e reformas necessárias. Elegeram Fernando Henrique Cardoso (FHC), um até então respeitável pensador da esquerda brasileira e começaram o processo. Há muito tempo os militares estavam tendo um custo muito elevado politicamente.
Conseguiram mantê-lo durante dois mandatos e iniciaram um processo de corrupção nunca visto no país, retratado fielmente na obra “Privataria Tucana”, comprando deputados de todos os partidos.
Mas o povo elegeu Lula (Lulinha paz e amor), que já havia renunciado ao projeto petista e popular antes da eleição na Carta aos Brasileiros. Assim que eleito, o presidente metalúrgico foi a Washington buscar o beneplácito do presidente Bush e voltou com o Henrique Meirelles nomeado presidente do Banco Central. Ali começou a rendição: Meirelles era o grande nome do consenso de Washington para o Brasil.
Esta figura permaneceu no centro de poder durante este tempo todo, passando pela iniciativa privada, onde foi presidente do conselho de administração do grupo Friboi. Com o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff que, com sua política nacional-desenvolvimentista, mostrara resistência às exigências, Meirelles assume a chefia da política econômica do títere Temer.
Tentaram aprofundar as chamadas reformas com a destruição da CLT e da Seguridade Social. Mas o povo nas ruas fez com que Temer recuasse alguns passos e isto foi insuportável para seus mentores. Chega deste pulha: foraTemer e começou o processo de desestabilização que vai eleger Meirelles presidente por via indireta e, terminando a tarefa iniciada ainda nos anos 80, empurrando goela abaixo do povo brasileiro a sua pior derrota.
Cheguei a esta leitura da conjuntura atual principalmente pelo interesse da Globo na deposição de Temer e nas denúncias contra seus asseclas e a todos os políticos além da campanha pelas eleições indiretas e a colocação de um “técnico” na presidência.  Torço para estar errado, vamos esperar pelo futuro próximo para confirmar ou não esta avaliação.

Adquira nossas publicações

texto asjjsa akskalsa

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *