Na ponta do Parque Marinha do Brasil que hoje está espremida entre as duas pistas da avenida Beira Rio e a primeira quadra da avenida Ipiranga, há um velódromo.
No espaço vazio dentro da pista, há um mosaico no chão, tão esquecido e pouco visitado quanto o próprio velódromo.
O Mosaico da Cidadania foi criado na segunda edição do Fórum Social Mundial, em janeiro de 2002, pelos franceses Éric Theret e Pierre Vuarin.
A obra foi montada com mais de 500 pedras, trazidas de diversas partes do mundo, por entidades participantes das duas primeiras edições do fórum. São sindicatos, associações, organizações de mulheres, entre outros. Algumas pedras trazem ainda mensagens do que os participantes esperavam de um outro mundo possível.

Há pedras datadas de 2001 e outras de 2002. Algumas foram esculpidas com detalhes, há até mesmo um sininho, símbolo da luta dos professores, colocado pelo Cpers. Na pedra central, o tradicional lema do FSM: um outro mundo é possível.
Enquanto a reportagem do JÁ fotografava e fazia anotações, um ciclista solitário fazia o circuito do velódromo diversas vezes. O homem disse que costuma utilizar a pista para se exercitar e que geralmente ela está assim, praticamente vazia. Mesmo frequentador assíduo do local, ele não sabia dizer do que se tratava o mosaico. “Mas tem uma placa ali ó, deve ter informações.”
Até mesmo a placa está deteriorada, pouco legível e começando a ser coberta pela grama. Mas as expectativas dos participantes da primeira edição do Fórum Social Mundial continuam vivas. “Direito à moradia e à cidade”, “um outro mundo é possível sem racismo e xenofobia” e “Mulher de verdade: a que aposta em um novo mundo possível” são alguns dos desejos que resistem ao tempo e permanecem legíveis. Todos eles ainda atuais, quinze anos depois.

O que esperavam os participantes do primeiro Fórum Social Mundial
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