Cláudia Rodrigues
Flávio Tavares, jornalista e professor da UNB, autor de “Memórias do Esquecimento”, vencedor do Prêmio Jabuti 2000 na categoria reportagem, esteve na ARI, Associação Riograndense de Imprensa, para homenagear o lançamento do kit antiditadura, produzido pela Editora JÁ.
Tavares participou da resistência à ditadura, foi preso e libertado com outros catorze presos políticos em troca do embaixador dos Estados Unidos, em 1969, mas sua palestra passou longe dos detalhes pessoais vividos na prisão e no exílio de 10 anos no México. Ele fez uma análise sobre o momento atual, que considera uma continuidade do simulacro que foi a ditadura.
A ditadura não se instalou como ditadura no imaginário da população, a palavra mais usada pelos meios de comunicação para estabelecer o golpe era democracia, o discurso era o da renovação, do estado democrático.
E assim foi durante os 21 anos de ditadura e continuou o teatro. O Brasil se disse democrático, vendeu a ideologia da democracia durante o golpe, após o golpe e continua até hoje no teatro das palavras.
”Hoje, o que temos de diferente é que podemos estar aqui reunidos, na época da ditadura as pessoas, as famílias, não podiam falar contra o governo em voz alta dentro de suas casas porque havia a polícia política, os vizinhos podiam denunciar e as pessoas sumiam, mas em termos de organização política o que temos é um simulacro”, afirma Tavares.
Os partidos políticos são todos iguais, não defendem ideologias e não as praticam. Houve uma concessão com o rompimento do governo militar para o civil e ficou muito claro que havia limites, o limite do pensar, das idéias. Os grandes ideólogos dos partidos hoje são os publicitários que apresentam à sociedade, com participação efetiva dos meios de comunicação, um teatro. A política do país ficou viciada no simulacro que iniciou durante a ditadura e refinou-se.
O simulacro da ditadura como renovação do estado democrático
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