FELIPE UHR
A um dia da reunião (ocorre nesta terça as 14h30) entre Governo do Estado e o Comitê de Escolas Independentes (CEI), o clima já era de desocupação. A reportagem do Jornal Já esteve nesta segunda-feira (21) em cinco escolas estaduais, quatro que pertencem ao Comitê e registrou como anda as últimas ocupações em Porto Alegre.

Não há um comunicado oficial, mas as evidências apontam para o fim das ocupações uma semana depois do primeiro acordo entre Governo e entidade estudantis, quando na Assembleia assinaram um acordo, de sete pontos, prevendo as desocupações das escolas. O Comitê de Escolas Independentes (CEI), que ficou de fora das negociações, iniciou nova conversa com o governo, que agora está chegando ao fim.

No Paula Soares, nem todos os estudantes confirmam, mas a retirada deve ocorrer na terça ou na quarta-feira. Segundo o estudante Sérgio Campos, presidente do Grêmio estudantil, é preciso apenas a definição das datas de repasse e pontos que o Governo assumiu. “Já tem o acordo” falou. Alguns alunos da escola discordaram, afirmam que ainda querem discutir a retirada da PL/44 e outros pontos. Somente com a resolução deles, sairão do colégio.

No Emílio Massot, primeira escola do Rio Grande do Sul ocupada, os alunos já estão recolhendo colchões e cobertas, limpando as dependências da escola. Marcos Mano, presidente do Grêmio, se disse satisfeito com as conquistas que a escola mais precisava: falta de professores e garantia no repasse para obras de reparo. “Amanhã a escola terá livre acesso a todos” garantiu.

O mesmo clima já se percebe na maior escola estadual do Rio Grande do Sul, o Julinho. Lá os alunos já fazem as últimas limpezas e organizam o material para irem embora, mas ainda querem participar ativamente da reunião com o Governo do Estado. “Queremos mais verba para merenda e reformas na fiação” ressaltou, a estudante do 2º ano Camila. Os alunos admitem, devem desocupar na quinta-feira seja qual for o acordo estabelecido.

No Instituto de Educação, Direção e alunos tentavam um acordo, sem sucesso, no momento em que a reportagem chegou. Os alunos só aceitam dizer quando desocuparão após reunião com a Secretaria de Educação. Professores pediam a liberação da escola para os demais a partir deste quarta-feira.

No IE, um dos pontos exigido pelos alunos será a descriminalização dos movimentos, por parte do governo, e da ocupação realizada na Secretaria da Fazenda na última quarta-feira. Na ocasião a Brigada prendeu 43 pessoas, 33 menores, 10 adultos entre eles o repórter do Jornal Já, que fazia a cobertura para o jornal.

Apesar de não ter uma definição, os estudantes sairão nos próximos dias. “Tudo tem seu fim, estamos cansados” admitiu um dos estudantes, o secundarista Tobias Camisolão. Uma das diretoras, a professora Alessandra Bohm, queria o consenso com os alunos. “Queríamos ajudar eles, para que não haja intervenção militar”. Alessandra se refere a decisão judicial que obriga os ocupantes a liberarem as escolas para os alunos que desejam ter aulas, podendo permanecer com a ocupação. Na escola as principais reivindicações são um maior repasse para as merendas, vale-transporte intermunicipal livre e reparo na fiação dos corredores da escola.

Quando reportagem foi embora, uma reunião do Comitê com a presença de um advogado e representantes de oito escolas, ocorria no Instituto. Os estudantes acertavam os últimos pontos antes da reunião que deve culminar para o fim das primeiras ocupações de escolas estaduais da história do Rio Grande do Sul.

A escola Protásio Alves não está mais ocupada. Dentro dela, apenas um segurança, professores membros da diretoria e o duas funcionárias da limpeza. Entre elas, Patrícia Belmonte. A funcionária afirma que o colégio entregue estava limpo. “sujeira só no refeitório, coisa de adolescente” ressaltou. Colchões e barracas já estão em sacolas no colégio aguardando a retirada dos alunos.
Ocupações: clima é de retirada nas escolas remanescentes
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário