
‘A Saga de Canudos’ resgata momento histórico (Fotos: divulgação)
Naira Hofmeister
Na semana de aniversário, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz resgata uma parte do legado de discussão e atuação em eventos diários e gratuitos. As atividades começaram na quinta-feira (30/3) e vão até a próxima terça-feira (4/4).
Depois de intervenções na Esquina Democrática, quinta e sexta-feira, ao meio dia, a trupe lança, também na sexta-feira, a Revista de Teatro Cavalo Louco. Uma das grandes conquistas do grupo nos últimos anos. A publicação é resultado de outra iniciativa corajosa da trupe, a realização de seminários permanentes de discussão do teatro de rua e popular. “Prestamos um serviço que não é disponibilizado à comunidade através do Estado”, defende Tânia Farias, há dez anos no Ói Nóis.
No sábado à noite, na sede da Terreira da Tribo (Dr. João Inácio, 981), acontece o show de música com a presença do Zé da Terreira, Udi e a Geral, Johan Alex de Souza e Leonor Melo e o Grupo de Samba Regional Popular Brasileiro Serrote Preto. No domingo será a vez do Brique da Redenção receber os artistas, na Parada de Rua, onde, além dos músicos e dos atores do grupo, estarão presentes os atuais alunos da Escola de Teatro Popular da Terreira. A festa terá início às 11h da manhã.

Serrote Preto é uma das atrações do sábado, dia 1º de abril, na sede da trupe
Durante a próxima semana, as intervenções teatrais resgatam dois grandes sucessos do grupo. Na segunda-feira (3/4), reestréia a derradeira temporada de ‘Kassandra In Process’, no teatro Elis Regina da Usina do Gasômetro. E espetáculo se mantém em temporada gratuita, nas segundas-feiras, às 20 horas, com senhas disponíveis uma hora antes. Kassandra In Process retoma o mito da queda de Tróia, invertendo a importância do gênero na guerra, sendo contado sob a ótica de Kassandra. A peça é uma adaptação do romance de Crista Wolf que ganhou colagens de textos de revolucionários como George Orwell, Samuel Beckett e Albert Camus.
Na terça-feira, a apresentação será na Praça da Alfândega, e traz para a rua o espetáculo de maior duração do Ói Nóis: ‘A Saga de Canudos’, adaptação da peça ‘O Evangelho Segundo Zebedeu’ de César Vieira que narra um dos principais eventos populares do Brasil. A intervenção começa às 16 horas e tem como principal atrativo a mistura de teatro, música e bonecos gigantes.
As duas peças, assim como todo o resto da trajetória do Ói Nóis Aqui Traveis se debruçam sobre o tripé de conceitos básicos da turma: a criação coletiva, o teatro como instrumento de debate político e com bases populares. O grupo enfrentou, desde sua criação um estranhamento por parte do público e perseguição dos governos. Há 28 anos militando pelo esclarecimento da população, era mantido pelos próprios integrantes que eram obrigados a trabalhar em outros locais para conseguir verbas. Em 2005, o projeto foi finalmente reconhecido pelo poder público e recebeu patrocínio da Petrobrás, renovado para 2006. “Sempre reservamos nosso melhor para o momento de abrir as portas para o público, mas agora, realizamos o sonho de podermos nos dedicar por inteiro à Tribo”, salienta Tânia.

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