Naira Hofmeister
Para quem não vai viajar no próximo final de semana prolongado, duas notícias: a primeira, pode não ser exatamente positiva, mas, associada à segunda, forma um par de boas novas. Uma vem dos canais de tempo, e informa que a o feriado vai ser chuvoso em todo o estado. Ruim? Não se a programação cultural for intensa e de boa qualidade.
Diferentemente do que ocorreu no Carnaval, quarenta dias atrás, o feriadão da Páscoa reserva boas opções para quem quiser curtir o final de semana na capital. Muitas atrações com entrada gratuita, outras tantas a preços módicos. As únicas “baixas” do circuito cultural serão o MARGS e a Casa de Cultura Mário Quintana, que fecham as portas na sexta-feira, dia 14 de abril. Na quinta, no sábado e no domingo, dias 13, 15 e 16 de abril, o as instituições abrirão normalmente.
No MARGS, os destaques ficam por conta das duas mostras que se encerram no domingo: Pena-Ação, de Letícia Marquez e a coletiva O Papel de Otavio – A Presença de Otavio Roth no Rio Grande do Sul.
Na primeira, exposta nas Salas Negras do Museu, o contraste entre o ambiente escuro e o branco assustador das esculturas da artista. As instalações Andor e Cheung, misturam inusitados materiais como ferro, madeira, cabelos, fitas de seda, resina, alumínio, silicone, gesso e pedra. A linguagem expressionista, com interferências do fantástico e do surrealismo, colabora para tornar suas obras abertas, como uma porta de entrada para a imaginação, ora provocada pela racionalidade, ora pela sensibilidade das instalações.
Já O Papel de Otavio – A Presença de Otavio Roth no Rio Grande do Sul, que celebra os
20 anos da última mostra do artista no Estado, retoma a potencialidade expressiva do papel artesanal nas artes plásticas. Para isso, reúne as obras de Otavio Roth aos trabalhos de artistas como Barbara Benz, Neusa Dagani, Otacílio Camilo, Wilson Cavalcanti, Circe Saldanha, Moacir Chotguis, Lenora Rosenfield e Maria Leda Macedo, além de uma obra do norte-americano Bob Nugent. A mostra inclui ainda uma exposição documental com material da Papeloteca Otavio Roth e do Núcleo de Documentação e Pesquisa do MARGS.
Na música, o feriadão vai ser marcado pelo Jazz. No Studio Clio, o ritmo serve de roteiro para o Jazz Club, que nesse sábado apresenta a obra de Dave Brubeck nas palavras do jornalista Paulo Moreira e no saxofone de Luizinho Santos, que comanda o quarteto. Para tomar (ou perder) fôlego, já na tarde do sábado, a dica é a oficina de sax com Benjamin Herman Kwartet, no Santader Cultural com entrada franca. Domingo à tarde, o musico se apresenta dentro do projeto Festival de Jazz da Holanda, no Salão Átrio, também com entrada gratuita.
Para finalizar, o teatro traz boas e variadas alternativas. Em ultima apresentação, Os Bacharéis é um convite a mergulhar num lado desconhecido de Simões Lopes Neto, autor dos Contos Gauchescos. Na obra, que será encenada nessa quinta no Theatro São Pedro, um casal de noivos prestes a se casar recebe a visita de um grupo de bacharéis que vêm da capital, filhos do tutor da moça. A comédia foi encenada pela primeira vez em 1894, no Teatro Sete de Abril, em Pelotas e, mais de cem anos após sua apresentação, foi redescoberta, nos armários da Biblioteca Publica de Porto Alegre. Com apoio da Copesul, a peça voltou a cartaz no final de 2005, no mesmo palco de sua estréia, e agora, faz curtíssima temporada em Porto Alegre no São Pedro. O valor dos ingressos variam entre R$ 10,00 e R$ 20,00 e podem ser comprados nas bilheterias do teatro.
Para quem busca uma alternativa ainda mais barata, sem perder a qualidade, a dica é o espetáculo O Último Carro, em cartaz na sala 309 da Usina do Gasômetro somente aos sábados. A peça, escrita por João das Neves na década de 70, que estreou no afamado Teatro Opinião, em 77. No espetáculo, diversos personagens têm em comum o fato de estarem, de alguma forma, à margem da civilização – são prostitutas, operários, bêbados e meninos de rua.
Essa aliança social se torna uma questão de vida ou morte quando eles percebem que o trem onde estão não tem maquinista e vaga, sem controle, rumo a um destino incerto. Resultado da oficina deformação de atores do Depósito de Teatro, O Último carro une a critica social e política – comum tanto no grupo carioca, como no gaúcho – ao humor negro e ao sarcasmo. Também traz como marca do Depósito de Teatro a inovação da linguagem, que conta com intervenções audiovisuais e a já consagrada técnica de interpretação onde os atores exploram o contato com o publico.
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