O primeiro disco de tango da América Latina – do músico Francisco Canaro – foi gravado e prensado no Bairro Glória, em Porto Alegre, na Casa A Eléctrica, do italiano Savério Leonetti, considerado o quarto fabricante de discos surgido no mundo. O imóvel ainda existe, na Avenida Sergipe, mas em péssimo estado de conservação, embora tenha sido tombado há 19 anos.
Na tentativa de garantir recursos no Orçamento 2016 para o restauro do local, a Associação Amigos da Casa A Eléctrica esteve na Câmara Municipal para participar de reunião da Cefor e da Cece, da qual participaram também representantes do Executivo
Ricardo Eckert, um dos fundadores da Associação, disse que a história da casa “é fantástica”, mas, desde 1996, nada ou pouco foi feito pela antiga fábrica de discos e gramofones que funcionou de 1913 a 1924 e projetou mundialmente o nome da Capital. Segundo ele, antes da restauração total, deve ser buscada uma solução emergencial para frear a deterioração. “Ela precisa ser escorada para evitar que sua recuperação custe ainda mais”, afirmou. Conforme Eckert, a Associação reivindica que, após a reforma, a Casa seja transformada em centro cultural. De acordo com ele, o caminho seria desapropriar o terreno, garantir recursos no Orçamento e captar verbas pela Lei Rouanet.
Determinação judicial
O coordenador da Memória Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Luiz Antônio Custódio, informou que, por determinação judicial, o imóvel da Glória terá de ser restaurado. Ele contou que há dois processos envolvendo a construção: um da prefeitura contra os herdeiros, cobrando a recuperação, que não surtiu efeito; e outro, de ação civil pública do Ministério Público contra a prefeitura, exigindo a elaboração de projeto e a restauração da casa. Para este segundo, foi emitida decisão judicial, e o Executivo terá de salvar a antiga fábrica.
Custódio disse que o envolvimento da Câmara pode ajudar a obter os R$ 1,3 milhão necessários para o restauro. Segundo ele, o projeto da obra foi concluído e encaminhado à Secretaria Municipal da Fazenda. A ideia é restaurar a construção e depois desapropriá-la, indenizando os herdeiros. “A casa não aguenta outro inverno”, alertou. “Há projeto, mas agora temos de incluí-lo no Orçamento.” Custódio contou que hoje o terreno de A Eléctrica está alugado para uma empresa de ônibus e que, tempos atrás, a parte construída chegou a servir de canil.
O coordenador ainda disse que, devido ao pequeno tamanho da parte principal da casa (duas peças mais uma copa e um banheiro), o ideal seria transformá-la em um memorial de sua história e das pessoas que lutaram por ela. Na outra ala do imóvel, seria instalado o estúdio de gravação municipal, que hoje funciona no Teatro Túlio Piva.
O procurador Nelson Marisco, da Procuradoria-Geral do Município, acrescentou que a casa terá de ser restaurada mesmo que os atuais proprietário se oponham. “Temos uma ordem judicial”, reafirmou. Salientou, porém, que resolver a questão orçamentária é primordial para que a obra possa ser executada.
Ricardo Eckert ainda convidou todos os vereadores a participarem do lançamento do Movimento pela Restauração da Casa A Eléctrica, às 15 horas do dia 31 de outubro, no Museu de Comunicação Hipólito José da Costa. “Haverá shows de tango, chorinho, música tradicionalista e samba, os quatro estilos gravados pela Casa A Eléctrica”, destacou.
Vereadores
O vereador Airto Ferronato (PSB) sugeriu que os colegas apresentem emendas ao Orçamento solicitando verbas para a restauração da antiga gravadora, chegando aos R$ 1,3 milhão necessários. Também disse que seria uma boa ideia utilizar índices construtivos para indenizar os herdeiros da propriedade. A seu ver, seria “muito positivo a prefeitura adquirir o imóvel, em razão do que representa para a história”.
A vereadora Titi Alvarez (PCdoB) sugeriu acionar a bancada federal gaúcha para que destine recursos também no Orçamento da União. Ela também defendeu que a história do imóvel seja amplamente divulgada, para que a campanha em seu favor ganhe visibilidade.
O filme A Casa Elétrica, de Gustavo Fogaça, foi citado pelo vereador Idenir Cecchim (PMDB) como excelente iniciativa para resgatar a história do italiano Savério Leonetti e sua fábrica de discos e gramofones. Ele ainda lamentou a existência dos muitos imóveis históricos em péssimas condições na cidade. “Não dão as armas devidas ao Ephac, que fica sem dinheiro para fazer o que deve.”
O presidente da Cece, Reginaldo Pujol (DEM), afirmou que as propostas são excelentes, mas todas “trazem algumas dificuldades”. Segundo o vereador, é fácil propor emendas; o problema é que depois elas são contingenciadas pelo Executivo. “Vão tirar R$ 1,3 milhão de onde, se toda a receita é vinculada à despesa?”, perguntou. Pujol lembrou que as verbas da cultura já são escassas, mas, de qualquer forma, disse que poderá ser um dos vereadores a apresentar emenda para beneficiar a obra da Casa A Eléctrica.
Patrimônio histórico da Capital, Casa A Eléctrica precisa ser recuperada
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