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Carla Ruas
O resultado para eleição do governador do Rio Grande do Sul contrariou expectativas: Germano Rigotto (PMDB), cadidato à reeleição, ficou fora do segundo turno. Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), André Marenco, a culpa foi dos próprios eleitores peemedebistas.
Ao ver que Rigotto estava com uma boa vantagem e que Olívio Dutra (PT) e Yeda Crusius (PSDB) disputavam o segundo lugar, os eleitores do PMDB resolveram “escolher” com quem o candidato disputaria a segunda etapa. “Mas foi um tiro no pé”, acredita.
Os votos estratégicos migraram para Yeda, com a intenção de boicotar o Partido dos Trabalhadores. Mas em exagero, levaram o atual governador do primeiro lugar para o terceiro. Marenco acredita que o fenômeno iniciou logo após a pesquisa do Ibope, divulgada na sexta-feira (29), que apontou um empate entre o PT e o PSDB, ambos com 22%. “Os militantes do PMDB não queriam que o Olívio fosse para o segundo turno, mas acabou ocorrendo exatamente o contrário”.
O professor lembra da tradicional rivalidade entre o PMDB e o PT, no Estado. Essa rixa foi intensificada nas últimas três eleições para o Palácio Piratini, quando os partidos se enfrentaram no segundo turno. Para o cientista político, os embates intensificaram um movimento “anti-PT”.
Em 1994, Antônio Britto (PMDB) venceu Olívio Dutra (PT), com 58,6% dos votos. Em 1998, os mesmos candidatos obtiveram resultado oposto: Olívio ganhou com 49,4%.
Na eleição de 2002, a polarização entre Britto, que concorreu pelo PPS, e Tarso Genro, foi um dos motivos para a revelação da “novidade da época”: Germano Rigotto (PMDB), que largou com índice de 2%, foi para o segundo turno, e venceu Tarso Genro (PT) com 52,7%.
Trapalhadas políticas
O resultado do primeiro turno pode afetar a carreira política de Rigotto. Para o professor, o episódio soma-se a outras “trapalhadas políticas” vivenciadas pelo governador neste ano. “Ele viveu um conjunto de episódios de derrotas”, lembra.
Tudo começou quando perdeu a disputa interna pela candidatura à presidência da República para Anthony Garotinho. “Ele aceitou uma regra de contagem maluca e acabou fragilizado”. Após a derrota, o PMDB regional ficou ainda mais isolado da cúpula nacional e manteve uma posição dúbia com relação ao apoio ao governo federal.
Rigotto também demorou em confirmar a sua candidatura para reeleição no Estado e não realizou uma campanha com muito entusiasmo. Além disso, o seu governo considerado “médio” não contribuiu para uma lavada de votos. “Ele não teve nenhum grande atrito, mas também não teve ousadias”.
O futuro do governador é incerto. “Não vale a pena para ele disputar uma prefeitura de Caxias do Sul ou de Porto Alegre. E esperar quatro anos para ser deputado é muito tempo”, afirma. A única saída seria acompanhar as coalizões do PMDB no cenário federal e talvez assumir um ministério. “Seria sua melhor oportunidade”, projeta.
A disputa regional
A partir de agora, a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul parte para uma nova etapa até o dia da votação, 29 de outubro. O cientista político diz que Yeda Crusius “teoricamente tem mais chance” de sair vencedora, porque o PSDB deve receber o apoio do PMDB e do PP.
Marenco aposta que o PDT vai liberar seus militantes para escolherem em quem votar. “Apoiar a Yeda seria complicado por causa da sua posição liberal, mas o partido mantém uma rixa com o PT, desde que rompeu com o governo Olívio”.
Para que o Partido dos Trabalhadores reverta o prognóstico teria que mudar a estratégia de campanha. “Tem que travar um debate mais duro”, diz. A tática teria que ser diferente da que foi utilizada no primeiro turno: “um discurso generalizado voltado para os militantes”.
Alckmin X Lula
Para Marenco, em âmbito nacional, os apoios de partidos não devem influenciar tanto. “O terreno de batalha será pelo eleitorado do próprio Lula”, garante. O aspecto decisivo para Alckmin deve ser a fuga de eleitores do atual presidente por causa das denúncias de corrupção. E o PT tem que torcer pela fidelidade dos seus eleitores do primeiro turno.
Ele acredita que parte dos apoiadores da candidata Heloísa Helena vai votar nulo, e o restante no presidente Lula. E que os eleitores de Cristovam Buarque podem votar em um ou em outro, que não fará diferença no cenário geral. “Agora o que vale são as campanhas mais radicalizadas para ganhar e manter eleitores”.


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