Geraldo Hasse
A posse de Odacir Klein para um mandato rotativo de 18 meses na presidência do BRDE na tarde de terça, 19, foi uma inequívoca demonstração de força do PMDB gaúcho. Faltaram lugares no auditório do 14º andar da sede na Rua Uruguai 154 no centro de Porto Alegre. “Estou vendo secretários de Estado de pé nos corredores”, disse Klein ao final de seu discurso de posse. Ele recebeu o cargo de Neuto do Conto, representante político de Santa Catarina. Dentro de 18 meses, a Presidência passará ao paranaense Orlando Pessutti.

Emocionado ao assumir um dos cargos mais importantes de sua carreira – vereador aos 21 anos, foi prefeito de Getulio Vargas, deputado, secretário de Estado, ministro, presidente do Banrisul e de órgãos de classe como a Fecotrigo e a Abramilho –, Klein se declarou “grato, muito grato” ao governador Ivo Sartori por confiar-lhe a cadeira gaúcha na direção do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul; agradeceu também aos ex-governadores Pedro Simon e Germano Rigotto, por ajudá-lo em momentos difíceis de sua vida.
Os dois chefes do PMDB gaúcho estavam na primeira fila do auditório, lotado por uma rara coleção de figuras ilustres da vida política e empresarial do Estado. O prefeito José Fortunati, sem partido, estava à vontade na mesa principal. Também estiveram presentes emissários do Rio e de Brasilia. O diretor Ricardo de Souza Ramos trouxe “o abraço da presidenta Maria Silvia Bastos Soares ao maior parceiro de fomento do BNDES”.
Fabio Medina, representando a Advocacia Geral da União, falou em nome do presidente interino Michel Temer. Em seu discurso lido, ao elogiar o enfoque do BRDE, ele apresentou uma pérola do vernáculo: “Não é despiciendo lembrar que as pequenas e médias empresas representam 27% do PIB e 52% dos empregos no Brasil”.
Restou uma única dúvida: se tamanha afluência foi provocada pelo prestígio político do velho “modebra” Odacir Klein ou pela força do BRDE, que emprestou R$ 2,6 bilhões em seu último exercício fiscal. O BRDE foi fundado em junho de 1961 pelos governadores Leonel Brizola, Celso Ramos e Nei Braga.
Declarado inviável na onda da privatização dos anos 1990, foi salvo da liquidação por um acordo entre os três estados e a União. Com a capitalização dos lucros, tem um capital de quase R$ 1 bilhão. Com três agências nas capitais do Sul, possui cerca de 500 funcionários voltados preferencialmente para o fomento de pequenas e médias empresas, cooperativas e prefeituras municipais.
Depois de oito discursos que se estenderam por mais de uma hora, o governador teve o bom senso de poupar os ouvidos da plateia de redundâncias sobre a excelência do sistema financeiro do Estado – o tripé formado pelo Banrisul, o Badesul e o BRDE. Pegando um mote dado por Neuto do Conto, que nasceu em Encantado e foi embora para Chapecó há 60 anos, Sartori declarou finda a diáspora gaúcha. “Milhares de gaúchos como Neuto foram embora do Rio Grande do Sul levando capitais, tecnologia e mão-de-obra para ajudar a desenvolver outras regiões do Brasil. Nós nos orgulhamos disso, mas chegou a hora de reconhecer que essa diáspora teve um preço. O Rio Grande precisa da união dos gaúchos para voltar a crescer.”
PMDB gaúcho mostra força na posse de Odacir Klein no BRDE
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