Carla Ruas
Em 1º de agosto, dois novos comandantes assumiram a responsabilidade pelo policiamento de dez bairros de Porto Alegre. O novo chefe da 3ª Cia do 9° Batalhão de Polícia Militar, que abrange Bom Fim, Santana, Santa Cecília, Rio Branco, Independência, Moinhos de Vento e Farroupilha é o Capitão Felipeto, de 36 anos. Ele também comanda a 5ª Cia de Operações Especiais do 9° BPM, e vai realizar as duas funções até o final do ano, quando um major deve assumir o posto.
A 2ª Cia do 9º BPM, que inclui os bairros Cidade Baixa, Praia de Belas (até a avenida Loureiro da Silva) e Centro (até a rua General Coelho) têm agora no comando o Major Marques. Ele tem 41 anos e trabalha há 22 anos na Brigada Militar. Durante dez anos fez parte do 11° e 20° batalhões, ambos na Zona Norte. Segundo a corporação, as mudanças fazem parte de uma troca rotineira.
Major quer parceria com a comunidade

O maior desafio será o bairro Cidade Baixa (Fotos: Carla Ruas/JÁ)
O Major Carlos Marques (foto acima), novo comandante da 2ª Cia do 9º BPM terá sob sua responsabilidade os bairros Praia de Belas, Centro e Cidade Baixa. É uma área de intenso movimento e que recebe diversas atividades, como shows, desfiles temáticos, manifestações políticas e eventos culturais.
Para dar conta do trabalho do dia-a-dia e das operações especiais, o major conta com o apoio da comunidade. Seu maior desafio será o bairro Cidade Baixa. A vida noturna intensa que atrai pessoas de toda cidade requer uma atenção especial da Brigada Militar.
Nos finais de semana ocorrem roubos de veículos, furtos, casos de embriaguez, tráfico e posse de drogas. Para prevenir os delitos, a 2ª Cia está realizando um policiamento ostensivo e forte no local, principalmente nas madrugadas de sexta a segunda.
Muitos moradores também reclamam da falta de sossego e destruição de patrimônio histórico cultural. Para o Major, neste caso o problema não é a insegurança. “O que falta é organização social”, diz ele. Neste sentido a 2ª Cia quer implantar em conjunto com a Associação de Moradores da Cidade Baixa um Conselho de Segurança, nos moldes do que já existe no Bom Fim. “O objetivo é fazer com que todos pensem as ações de segurança para encontrar soluções”, explica.
Outra iniciativa que o Major Marques pretende levar adiante são as abordagens a moradores de rua, que já estão acontecendo em praças, ruas e viadutos. Segundo o oficial, o procedimento visa identificar foragidos, procurar drogas e retirar crianças de moradias impróprias. No viaduto localizado na esquina das avenidas Erico Verissimo com Ipiranga, foram encontrados vários cachimbos de crack.
“Realizamos essas ações preventivas porque os problemas sociais estouram na polícia”, justifica. Desde que as ações iniciaram, pararam os telefonemas dos moradores pedindo providências. O Major faz um apelo aos moradores da região, que se integrem às associações de moradores e contribuam com a Brigada Militar. Ele garante que vai participar regularmente das reuniões das associações. “Vamos unir esforços. Nos informem do que acontece no bairro”.
“Bombeiro” assumiu a 3ª Cia

O Capitão passou a maior parte do tempo lutando contra o fogo e salvando vidas na praia
Moradores de sete bairros protegidos pela 3ª Cia do 9º BMP – Bom Fim, Santana, Santa Cecília, Rio Branco, Independência, Moinhos de Vento e Farroupilha – terão um bombeiro no comando do policiamento da região.
Há 22 anos na Brigada Militar, o Capitão José Felippetto (foto acima) passou a maior parte do tempo lutando contra o fogo e salvando vidas na praia. Durante cinco anos foi coordenador da Operação Golfinho, em Capão da Canoa, e mais recentemente trabalhou na estação de bombeiros do bairro Assunção, na Zona Sul.
Há dois anos, ele foi transferido para o 9° BPM, onde passou pela 2ª e 3ª Cias. Hoje coordena a 5ª Cia de Operações Especiais, atividade que ele vai conciliar com a coordenação da segurança na região da 3a Cia. Apesar de sentir saudades de trabalhar com os pés na areia, ele diz estar preparado para assumir o cargo. “Conheço muito bem a área e vou me dedicar até o último fio de cabelo”, garante.
Entre os principais problemas da região ele destaca o tráfico de drogas, furtos a pedestres, roubos de veículos e assaltos a bancos, que “estão em alta”. Para diminuir os índices, pretende continuar o trabalho que estava sendo desenvolvido pelo Major Jairo e aprofundar o contato com a comunidade.
Segundo ele, o fato de coordenar duas companhias ao mesmo tempo não será um problema, e sim uma vantagem. “Conhecendo melhor a realidade da 3ª Cia posso auxiliar uma com a outra”. Ele explica que a 5ª Cia de Operações Especiais atende às quatro companhias do 9° BPM sempre que necessário, pois conta com Pelotão de Operações Especiais, Pelotão de Motos e Patrulha de Orientação da Comunidade Escolar.
O Capitão está no 3° semestre de Ciências Sociais na UFRGS depois de ter desistido de estudar Direito no meio do curso. “As aulas me ajudam bastante no meu trabalho, porque penso na maneira como a Brigada Militar se organiza”. Ele reflete que a cooperação progrediu muito nos últimos anos, com relação às abordagens realizadas e à aproximação da comunidade.
Do tempo que foi bombeiro, guarda boas recordações. “Nada é mais gratificante do que salvar uma vida. Todas as vezes que isso me aconteceu eu chorei”, lembra. Um dia, pretende voltar para a função, mas no momento está consciente da importância do seu trabalho. No seu currículo, também consta a coordenação da Defesa Civil de Porto Alegre e uma passagem pela Secretaria Nacional de Segurança Publica, em Brasília.

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