Protesto contra transgênicos reúne dezenas em Porto Alegre

Felipe Uhr
Cerca de 50 pessoas se reuniram, na noite da segunda-feira (25), em um protesto contra a produção de alimentos transgênicos que se concentrou na avenida Mostardeiro, no bairro Moinhos de Vento, e seguiu em caminhada pelas avenida Goethe e Osvaldo Aranha, em Porto Alegre.
O ato foi convocado pelas redes sociais e se inseria dentro das atividades do Dia Mundial Contra a Monsanto – chamada que ocorre em diversos lugares ao redor do mundo para atrair a atenção da sociedade ao modelo de produção do qual a empresa é símbolo: modificar geneticamente sementes de alimentos para que se tornem mais resistentes a venenos e possam ser cultivados em larga escala reduzindo a ameaça de pragas.
Os manifestantes carregavam faixas de repúdio aos transgênicos, alegando que eram prejudiciais à saúde – algo que vem sendo sinalizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Instituto Nacional do Câncer há algum tempo.
Por outro lado, o sistema de produção de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) é um negócio com poucos riscos para empresas, conforme sublinhou o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente (Agapan), Alfredo Gui Ferreira.
“As sementes transgênicas são mais apetitosas para os insetos e obrigam os agricultores a comprarem agrotóxicos. A venda casada é o grande negócio deles”, destacou, fazendo referência ao fato de que essas multinacionais usualmente vendem as sementes resistentes e o veneno.
Representantes do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente também recriminaram a produção de transgênicos. Para o biólogo e membro do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema) Francisco Cauwer, o consumo dos alimentos orgânicos, produzidos sem nenhum tipo de agrotóxico, deveria ser incentivado. “É a saída contra o agronegócio e as seis grandes empresas que monopolizam esse mercado”, exemplificou.
Além de ambientalistas vinculados à entidades tradicionais do Estado, que protestavam com faixas e cartazes, o ato reuniu estudantes e participantes independentes, a maioria vestidos de preto e, alguns, com lenços cobrindo o rosto.
Uma aluna do curso de biologia da Ufrgs, que não quis se identificar, alegava que a monocultura é um retrocesso para a saúde das pessoas: “Já está provado que os índices de agrotóxicos cada vez aumentam mais nos alimentos transgênicos”.
Entre os anônimos, chamava atenção um manifestante caracterizado com a Morte. “A Monsanto é uma empresa, criminosa. Existem vários documentários que comprovam isso”, argumentou.
Para ele não é de interesse das grandes corporações investir em agricultura familiar recursos que podem ser empregados na monocultura. “Caso fosse, a produção de alimentos orgânicos seria muito maior” completou.
Local do protesto não mais é sede da empresa
A manifestação, que foi organizada através das redes sociais, aconteceu em frente ao Edifício Madison, considerada a sede porto-alegrense da Monsanto.
Mas surpreendidos pelo protesto, administradores do edifício comercial explicaram aos manifestantes que a multinacional já não opera no local há 7 anos. “Não há mais vínculo nenhum da empresa com o prédio”, dizia um dos representantes do condomínio.
“O ato é válido mas tinha que ter sido feito no lugar certo” completou.
A Monsanto funcionava no sexto andar do prédio, em um escritório atualmente ocupado pela construtora Goldsztein Cyrella.
Mas os manifestantes não se abalaram com a notícia de que o endereço estava equivocado. “A Monsanto já teve sede aqui então esse é o ponto de referência para aqueles que são contra os transgênicos” disparou o cidadão vestido de Morte.
Não faltou quem desconfiasse ser apenas um despiste dos administradores para que o ato não ganhasse mais adesões. “É, aparentemente a empresa não está mais aqui, mas isso pode ser só uma orientação. Também, pouco importa”, ilustrou um dos manifestantes que preferiu manter-se anônimo.
Os protestos do Dia Mundial Contra a Monsanto em Porto Alegre iniciaram no último sábado (23), quando ambientalistas se reuniram na feira ecológica do Bom Fim. O ato da segunda-feira encerrou a agenda que deverá ser repetida no ano que vem.
Protesto gerou simpatia e irritação
A manifestação gerou uma breve interrupção do trânsito nas avenidas Mostardeiro e Goethe – a primeira fechada pela EPTC devido ao ato. Para liberar o trânsito, os ativistas rumaram, ao final do protesto, para a avenida Goethe.
Entretanto, no período em que as duas avenidas estiveram paralisadas, muitos carros buzinavam contra o ato enquanto outros sinalizavam em apoio da causa.
Um deles, o fotógrafo Olavo Hinckler, era o morador do bairro vizinho, Rio Branco, estava passando e achou interessante a movimentação. “Não tenho tanto conhecimento sobre os transgênicos, mas acho válido esse tipo de ato em razão de algum ideal”.
Já para dois moradores do bairro Moinhos de Vento, aparentando 50 anos que não quiseram se identificar os manifestantes estavam equivocados. “Quer dizer que o agronegócio mata? A única coisa que está dando certo no País. Gera emprego, comida e renda para o Brasil” conversavam entre si.
O ato se encerrou por volta das 19h30 no bairro Moinhos de Vento quando os manifestantes seguiram, acompanhados pela Brigada Militar e EPTC, para avenida Osvaldo Aranha. Não houve confrontos nem violência.

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Comentários

Uma resposta para “Protesto contra transgênicos reúne dezenas em Porto Alegre”

  1. Avatar de Geraldo Hasse

    Parabéns ao repórter Felipe Uhr, que saiu do Moinhos com uma matéria de qualidade superior ao ato, reafirmando o tradicional viés orgânico do Já. É equivocado dizer que o agronegócio é a única coisa que está dando certo no Brasil. A agricultura familiar é muito mais justa socialmente. E ambientalmente é muito mais correta do que agricultura empresarial. A natureza é transgênica, mas sem agrotóxicos. A longo prazo, o cartel dos agroquímicos não tem futuro.

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