
Lideranças comunitárias querem participar da elaboração dos projetos de modificações do Plano (Foto: Guilherme Kolling)
Guilherme Kolling
Quarenta lideranças comunitárias dos bairros da região central e da Zona Sul de Porto Alegre se reuniram no Salão Paroquial da Igreja São Manoel, na rua Dona Laura, na noite da terça-feira, 26 de setembro, para debater a revisão do Plano Diretor.
Experientes no assunto, os integrantes do Porto Alegre Vive já constataram que as mudanças solicitadas pela comunidade não acontecerão este ano. “Estão segurando ao máximo as alterações para aprovar mais empreendimentos imobiliários antes dos ajustes”, alerta a presidente da Associação dos Moradores da Bela Vista (Amobela), Maria Lúcia Cardon.
Os projetos de lei que tratam das alturas, recuos dos edifícios e criação das áreas especiais de interesse cultural estão sendo discutidos há meses na Prefeitura. Mas as lideranças dos movimentos de bairro reclamam que não foram chamadas. No Conselho do Plano Diretor também já surgiram queixas pela demora na apresentação do que está sendo feito pelos técnicos.
Por isso, o Porto Alegre Vive está se organizando para participar do trabalho e tomar conhecimento do processo que está em andamento. Na reunião de 26 de setembro, o coordenador do Porto Alegre Vive, Nestor Nadruz sugeriu recorrer ao Ministério Público, para exigir que a Prefeitura torne públicas as informações.
As lideranças comunitárias entendem que a administração municipal está conduzindo as modificações no Plano Diretor nos bastidores, com a participação do segmento da construção civil e excluindo os movimentos de bairro.
“Estamos sendo alvos de um massacre silencioso de parte do Sinduscon [Sindicato da Indústria da Construção Civil], Secovi [Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis] e SPM [Secretaria Municipal do Planejamento], obviamente com o expresso consentimento da Prefeitura Municipal”, denuncia um manifesto (leia íntegra), lido no início da reunião do dia 26 pela presidente da Amobela.
Além da representação ao MP expondo o que vem acontecendo, o Porto Alegre Vive também pretende enviar ofício ao prefeito José Fogaça, demonstrando a indigação de moradores que querem o direito de participar da elaboração dos projetos de modificação do Plano Diretor. As lideranças dos movimentos de bairro planejam uma nova reunião para 10 de outubro.

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