A primeira noite da ocupação do colégio Emílio Massot

Matheus Chaparini
Em torno das 21h começam a chegar os colchões à escola ocupada e os alunos passam a ajeitar as salas que servirão de dormitório: uma para gurias, outra para guris. Os alunos homens são maioria na ocupação. A refeição da noite foi preparada pelo refeitório da própria escola.
A ocupação não interrompe as atividades da instituição. Os ocupantes garantem que os professores que quiserem, podem dar suas aulas normalmente. Grêmios Estudantis de outras escolas e entidades como Cpers e Assurfgs contribuem com alimentos e equipamentos, como um fogareiro.
No interior da escola, permanece um grupo formado por cerca de 30 alunos e quatro professores. Alguns deles estão na escola desde as 7h, quando iniciou a ocupação. O cansaço é visível. A noite é fria e o cobertor sobre os ombros se torna o traje da ocupação, principalmente entre as meninas.

Quem controla o portão sao os próprios alunos. Quando estão em reunião, os professores assumem / Ramiro Furquim / Jornal JÁ
Quem controla o portão sao os próprios alunos. Quando estão em reunião, os professores assumem / Ramiro Furquim / Jornal JÁ

Na entrada da escola, um cartaz anuncia “em luta pela educação”, outro exige: “fora Sartori.” Algumas fotos penduradas no teto mostram o envolvimento dos estudantes do Emílio Massot em manifestações em defesa do ensino público.
Por volta das 22h30, dois estudantes chegam ao portão fechado e querem entrar. Uma professora que cuida da porta enquanto os alunos estão em reunião recomenda que voltem pela manhã. Os horários de acesso e de atividades da ocupação foram definidos entre estudantes e direção da escola.
Às 22h50, tem início o Cine Ocupação, com um vídeo sobre a Marcha Mundial de Mulheres. Mas a chegada de uma câmera de tevê à escola cria um burburinho e dispersa as atenções. Um grupo de alunos se junta em frente ao cinegrafista, pulando e cantando: “Não tá tranquilo, nem favorável, esse governo é imprestável.”
Um pequeno grupo de alunas manda um recado para um apresentador da emissora, através da câmera. Elas criticam o atraso no repasse de verbas à escola e o parcelamento dos salários dos servidores públicos estaduais. O cinegrafista grava algumas cenas espontâneas dos alunos, outras montadas artificialmente. E a professora consegue concentrar o foco das atenções no vídeo.
Após exibição do vídeo, a professora Vanessa, de sociologia, propõe um debate sobre organização / Ramiro Furquim/Jornal Já
Após exibição do vídeo, a professora Vanessa, de sociologia, propõe um debate sobre organização / Ramiro Furquim/Jornal Já

A atividade foi proposta pelos professores e o ambiente na sala lembra uma aula. Ao fim da sessão, a professora de sociologia usa suas experiências de militante para falar da importância da organização e da divisão de tarefas para a continuidade do movimento e cobra mobilização dos estudantes.
“Quem vai fazer o café da manhã? Quem vai cuidar da infraestrutura? Quem vai falar com a imprensa? Eu não vou dirigir o movimento de vocês, vocês precisam se organizar, precisam exercer a democracia com participação.”
Um estudante pondera: “ô sora, a senhora tem que entender que é o nosso primeiro dia, tá ligado?”
Às 23h30, os professores se retiram da sala: “a ocupação é de vocês.” – e os alunos iniciam uma assembleia. Na pauta, o café da manhã da quinta-feira, a divisão das tarefas e os próximos passos do movimento que realizou a primeira ocupação de escola pública no Rio Grande do Sul.
Fogareiro foi emprestado pela Assufrgs / Ramiro Furquim/Jornal Já
Fogareiro foi emprestado pela Assufrgs / Ramiro Furquim/Jornal Já

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