Agora os campeões da liberdade de imprensa estão descobrindo o jornalismo local. Antes tarde do que nunca.
Nelson Rodrigues dizia que o verdadeiro jornalismo é o jornalismo policial, aquele que lida com os fatos cabais, que desvendam as entranhas da sociedade.
É possível parodiá-lo e dizer que o verdadeiro jornalismo hoje é o jornalismo local. Aquele que o repórter pode exercer usando todos os seus sentidos. É o fato local que ele pode ver, tocar, cheirar, ouvir, sentir. Ali ele vai conviver com a fonte, o leitor e o anunciante do jornal.
Além de escola incomparável para o jovem jornalisa, o jornalismo local é um indutor de cidadania. As pessoas talvez estejam descrentes quanto à possibilidade de mudar o mundo.
Mas, quando elas sabem que algo errado está acontecendo no bairro, na rua, perto delas, elas não ficam inertes. Elas agem e geralmente dão respostas satisfatórias aos problemas.
O jornalismo local pode ser também um caminho de renovação da imprensa.
A imprensa virou terra arrasada. O jornalismo tem que se reiventar, retomar os seus fundamentos. Não haverá uma sociedade democrática sem um sistema que forneça informações confiáveis para a cidadania.
O micro-jornalismo que garimpa os fatos dos bairros e das comunidades, pode ser uma fonte de renovação e inspiração. Sim, a eleição americana influi na sua vida, mas um buraco na esquina quebra sua perna.

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