A assembleia-geral do Cpers-Sindicato aprovou na tarde de hoje (18/11) por ampla maioria a realização de greve a partir da próxima segunda-feira (21). A categoria protesta pelo pagamento do piso nacional do Magistério.
Encerrada a reunião, realizada no Gigantinho, em Porto Alegre, os professores fizeram uma caminhada até o Palácio Piratini, sede do governo estadual.
A presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, afirmou que lutará por grande adesão da categoria, que, segundo ela, sempre responde ao chamado do sindicato.
Rejane pediu o apoio da comunidade escolar, e disse esperar, o mais rápido possível, uma proposta do governo do Estado com relação ao piso. Os professores também querem a retirada de pauta da reforma educacional.
O objetivo é pressionar o governo estadual, antes do encerramento do ano letivo, pelo cumprimento da lei que determina o pagamento do piso nacional do magistério, de R$ 1.187.
No Estado, um professor que trabalha 40 horas semanais ganha como vencimento básico R$ 862,80, segundo informações da Secretaria de Educação. A estimativa do governo é que o cumprimento da lei terá um impacto de R$ 1,7 bilhão anual aos cofres públicos.
Segundo a secretaria, o governo assumiu o compromisso de pagar o piso, mas isso será feito de forma gradual até 2014.
O sindicato da categoria cobra o cumprimento imediato da lei, ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto. Além disso, é contrário à proposta do governo de reformulação do ensino médio, com aulas voltadas para a preparação para o mercado de trabalho.
Para o Cpers, a medida torna o ensino mais deficitário do que já é, além de “tirar a oportunidade dos alunos das escolas públicas de competir em concursos de acesso a cursos superiores”.
De acordo com o sindicato, pelo menos cinco mil professores participaram da assembleia, no ginásio Gigantinho. Uma ala da categoria chegou a defender o início da greve em março de 2012, para não prejudicar o fim do ano letivo, mas a proposta foi rejeitada pela maioria.
Ontem, o secretário estadual da Educação, José Clóvis de Azevedo, havia afirmado que se o Cpers decidisse pela greve haveria um rompimento unilateral da categoria com o governo. A negociação com o sindicato ocorria desde fevereiro.
O governador Tarso Genro disse que aceitaria uma eventual paralisação por motivos concretos, e não por “mentiras e promessas” que nunca teria feito durante a campanha.
Antes da decisão pela greve, a ex-presidente do Cpers/Sindicato, Simone Goldschmidt chegou a criticar a mobilização. A sindicalista afirmou que, em 30 dias, não se constrói um movimento grevista. “Não acreditamos em greve de vanguarda, como já tivemos em 2009, com mil ou duas mil pessoas. Isso não leva a discussão à sociedade”, salientou.

Deixe uma resposta