Professores mantêm greve e milhares de servidores protestam contra atraso de salários

Os professores da rede estadual no Rio Grande do Sul vão manter a greve contra o parcelamento dos salários, iniciada há 25 dias. A decisão foi tomada em assembleia nesta sexta-feira, 29/09, em Porto Alegre.
O novo calendário de pagamentos, anunciado pelo governador José Ivo Sartori, que começa pelos salários mais baixos, mas mantém o parcelamento para as demais faixas, não demoveu os professores. O depósito integral para quem ganha até R$ 1.750 líquidos foi considerado “insuficiente” pela categoria.
O Cpers estima que a adesão à greve já chegou a 70% e que deve aumentar com a nova decisão. Mais de 10 mil professores participaram da assembleia no ginásio Gigantinho, conforme a direção do sindicato.
Ao iniciar o encontro, a presidente, Helenir Schürer, destacou que a forte mobilização foi construída na base da categoria e que será mantida, acima de tudo, pela dignidade dos educadores. “Fizemos o governo sair da sua zona de conforto. Somos bem claros, queremos o pagamento dos nossos salários, integralmente, no último dia do mês trabalhado. Queremos o pagamento dos juros, mas não os de poupança. Já ganhamos uma ação coletiva para recebermos os juros com a correção monetária e vamos cobrar. A cada dia que passa o governo aprofunda a possibilidade de não terminarmos o ano letivo”, afirmou a professora.
Marcha reuniu 40 entidades
Da assembleia, onde decidiram manter a greve, os professores iniciaram uma caminhada pelas ruas de Porto Alegre, até o Largo Glênio Peres, no Centro. Lá, se uniram com outros servidores estaduais que protestavam também contra o parcelamento.
Os funcionários públicos, capitaneados pelos professores e entidades de representantes da segurança, policiais civis e agentes penitenciários, iniciaram novo ato, que reuniu mais de 10 mil pessoas, segundo a BM.
O protesto conjunto contou com apoio de 40 entidades e sindicatos. “Abre-se a possibilidade de se discutir com os servidores a construção de uma greve geral”, falou Helenir Schürer, do Cpers.
Juntos, eles rumaram para a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado. O efetivo policial foi reforçado no local.

Segurança foi reforçada na porta do Palácio Piratini / Ricardo Stricher / JÁ

Apesar do aparato de segurança, o ato foi pacífico. Por volta de 16h, após horas de manifestações, os manifestantes começaram a dispersar.
No fim da tarde, o governo estadual emitiu uma nota “conclamando os professores a voltarem às salas de aula e anunciando o corte do ponto dos que não comparecerem a partir de segunda-feira”.
De acordo com o governo, 47% dos servidores da Educação receberam os salários integralmente nesta sexta e, até o dia 11 de outubro, todos estarão com os salários quitados, assim como ocorre com a maioria dos trabalhadores.
Em resposta ao corte do Governo, o Cpers se manifestou: “Como é que se corta o ponto de quem não recebe salário?”. A entidade informa que pretende entrar com medida judicial contestando a decisão.
Veja abaixo a nota do governo, intitulada “Decisão de cortar ponto de grevistas atende interesse público”
Hoje, dia 29 de setembro, 47% dos servidores da Educação já receberam seus salários integralmente. Até o dia 11 de outubro, praticamente todos estarão quitados, assim como ocorre com a maioria dos trabalhadores em geral. Mesmo assim, com o apoio irresponsável da oposição, o Cpers decidiu manter a greve por período indeterminado.
Não chegamos a esta crise por vontade do atual governo. E para sair dela, precisamos de responsabilidade política e financeira, não de populismo e demagogia. Estamos fazendo todos os esforços para recuperar os serviços públicos e normalizar o pagamento dos servidores. O governo sempre manteve o diálogo e, nesta semana, anunciou o pagamento prioritário a quem ganha menos e a indenização pelos dias de atraso.
Alertamos a população para a tentativa de gerar tensão social, comandada justamente pelos atores políticos que agravaram a atual crise quando estavam no governo. Infelizmente, não estão preocupados com a educação, mas com seus próprios objetivos eleitorais.
Em virtude disso, tendo em vista o interesse público, não resta outra alternativa senão o corte do ponto dos grevistas. Conclamamos os professores a manter as aulas. Pedimos a colaboração dos pais e da comunidade escolar. A responsabilidade pela preservação do ano letivo é compartilhada por toda a sociedade. O governo do Estado segue aberto ao diálogo.

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